O ecossistema de startups na África e no Oriente Médio está encerrando o ano de forma positiva, com inovação, ambição e rodadas de investimento impressionantes. De fintechs a robôs de construção com inteligência artificial, investidores estão apoiando empresas que resolvem problemas reais e se expandem rapidamente.

    Nesta semana, a maior notícia vem da Arábia Saudita, onde a erad conseguiu um financiamento de US$ 125 milhões. Essa rodada foi liderada pelo banco global Jefferies, que fez sua primeira grande transação na região do Golfo. A fintech, baseada em Riyadh, oferece soluções de capital de trabalho compatíveis com a Sharia para pequenas e médias empresas e quer tornar o financiamento tão fácil quanto fazer uma compra com cartão.

    Com esse investimento, a erad vai ampliar suas operações em finanças integradas, reforçando parcerias com fornecedores e oferecendo capital para setores como logística, imóveis e manufatura, contribuindo para a base invisível do comércio.

    Perto dali, a Revibe, startup de Dubai, arrecadou US$ 17 milhões para expandir seu mercado de eletrônicos reformados. Enquanto muitos veem apenas celulares usados, a Revibe enxerga uma oportunidade de negócios, apostando na crescente economia circular na região MENA. A empresa oferece alternativas sustentáveis, acessíveis e confiáveis para dispositivos novos.

    A questão da habitação da força de trabalho também ganhou destaque. A Mnzil, startup saudita que gerencia habitações em mais de 13 cidades, levantou US$ 11,7 milhões em uma rodada Serie A. Essa foi a primeira liderada pelo Founders Fund na Arábia Saudita. A Mnzil fornece moradia com propósito para empresas de logística, startups de transporte e outros setores em crescimento.

    Com novas construções que cobrem mais de 22.000 m², a Mnzil enfrenta uma questão crucial em cidades que crescem rápido: onde moram as pessoas que as constroem?

    Outra startup de Dubai, a Zinit, também se destacou ao fechar uma rodada de US$ 8 milhões para financiar soluções de infraestrutura focadas em inteligência artificial. Embora ainda pouco conhecida, a quantidade levantada demonstra a confiança dos investidores em soluções ambiciosas e voltadas para a infraestrutura.

    Enquanto isso, a Strataphy, de Riyadh, levantou US$ 6 milhões para expandir sua tecnologia de resfriamento por substrato para data centers e infraestrutura industrial pesada. Em um mundo obcecado por inteligência artificial, a Strataphy está trabalhando para construir a base física que mantém esses modelos em funcionamento, destacando a engenharia geotérmica como um herói não reconhecido.

    Do lado da robótica, a Buildroid AI, apoiada por Tim Draper, arrecadou US$ 2 milhões em uma rodada pre-seed para implantar robôs de construção movidos à IA no setor de construção dos Emirados, avaliado em US$ 42,75 bilhões. A ideia não é substituir trabalhadores, mas criar uma força de trabalho digital e robótica que corte custos e tempo na construção.

    No setor de tecnologia regulatória, a STAMP, também da Arábia Saudita, levantou US$ 2 milhões para automatizar processos de conformidade em fintech, energia, saúde e infraestrutura governamental. Por fim, a bluworks, do Cairo, assegurou US$ 1 milhão para digitalizar a gestão da força de trabalho de pequenas e médias empresas em todo o Egito e na região MENA, garantindo que os funcionários tenham ferramentas digitais para trabalhar de forma eficiente.

    Em toda a região, a mensagem é clara: os investidores não estão mais focados apenas em aplicativos de consumo chamativos. Eles estão investindo na espinha dorsal estrutural do futuro — fintechs que impulsionam o comércio, habitação que protege a força de trabalho, sistemas de resfriamento que mantêm a IA operando, robótica que constrói cidades, cibersegurança que protege ativos digitais e ferramentas de conformidade que garantem crescimento legal.

    A tecnologia na África e no Oriente Médio não é mais apenas digital, mas também tangível, física e fundamental. Com semanas como essa, fica evidente que a região não está apenas se atualizando; está construindo a infraestrutura para a próxima era da tecnologia global.

    Assim, o ecossistema de startups na África e no Oriente Médio mostra um vigor considerável, pautado em inovações que impactam diretamente a vida das pessoas. O foco em soluções que respondem a necessidades reais, como habitação, saúde e sustentabilidade, é um sinal positivo para o futuro.

    Com esse impulso, a previsibilidade é que a região continue a atrair investimentos e talentos. O caminho está aberto para a criação de novas soluções que vão além do digital, mirando em problemas fundamentais da sociedade.

    A cada rodada de investimento, a história de inovação se reafirma. E, ao que tudo indica, estamos apenas começando a ver o que essa região vibrante pode oferecer ao mundo. Esses avanços mostram que o contexto global está mudando e, com eles, as oportunidades de crescimento e desenvolvimento no setor de tecnologia.

    Share.