Um novo relatório aponta que a Europa possui mais de 4.100 startups focadas em inteligência artificial (IA), avaliadas em impressionantes 161 bilhões de euros. Essas empresas estão impulsionando setores estratégicos, como saúde, energia e defesa, mesmo enfrentando um déficit em capacidade computacional quando comparada aos Estados Unidos.
A análise foi realizada pela Dealflow.eu, em colaboração com a Dealroom e a EU-Startups. O estudo, intitulado “Startups driving Europe’s AI transformation”, avalia o desenvolvimento, o crescimento e o potencial competitivo das startups de IA em dez setores que são prioridade na estratégia Apply AI da Comissão Europeia. A pesquisa faz parte do projeto Innovation Radar Bridge e revela que a Europa está avançando rapidamente na industrialização das aplicações de IA, no investimento em modelos open-source e na busca por autonomia tecnológica.
Atualmente, a Europa detém 17% do capital de risco destinado à inteligência artificial, com um crescimento notável de 16 vezes na última década. Embora represente apenas 4,8% da capacidade computacional global para treinar modelos de IA, a União Europeia está elaborando um plano significante, prevendo um investimento de 20 bilhões de euros para a construção de quatro a cinco gigafábricas de IA, cada uma com mais de 100 mil chips de última geração. O objetivo é garantir que a computação seja um bem acessível, fortalecendo a soberania tecnológica para empresas e instituições de pesquisa na Europa.
De acordo com especialistas, como Vittorio Sambuy, analista sênior da Dealflow.eu, o relatório sublinha o progresso da Europa em IA, destacando a importância dos investimentos em computação e modelos open-source. O desafio agora é transformar esse avanço em aumento da capacidade de investimento, acelerando ainda mais a inovação.
Os setores de saúde e farmácia, com um valor de 43 bilhões de euros, e defesa, segurança e espaço, com 38 bilhões de euros, são os que possuem maior valor e financiamento, acumulando 18 empresas unicórnias. Além disso, setores como meio ambiente, clima, energia e agri-food têm se destacado globalmente, captando uma parte significativa do capital de risco para a IA. Desde 2015, o valor dessas áreas cresceu de maneira impressionante, com destaque para o meio ambiente, que aumentou 1.725 vezes.
Alemanha e França aparecem como os principais centros de aplicação da estratégia de IA, sendo responsáveis por um número considerável de startups e investimentos. Contudo, o relatório também aponta um desafio estrutural: até 2025, o investimento em capital de risco por parte dos EUA deverá ser dez vezes maior do que o da União Europeia.
A análise ressalta que a união entre estratégias públicas, talento e inovação pode posicionar a Europa como uma líder global em inteligência artificial, especialmente em setores estratégicos. As startups estão transformando áreas como saúde, energia, mobilidade, agricultura e defesa, desenvolvendo soluções que combinam inteligência artificial com benefícios econômicos e sustentáveis.
Os dados mostram que o momento da inteligência artificial na Europa está em crescimento, com mais de 4.100 startups gerando agora um valor de 161 bilhões de euros e representando 35% do financiamento de capital de risco na União Europeia. A regulamentação responsável e a liderança em modelos open-source são pontos fortes que podem ser ampliados desde que a Europa consiga reduzir seu déficit em capacidade computacional, o que já está sendo abordado com a criação das novas gigafábricas.
