Na quinta-feira, 27 de outubro, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que um cessar-fogo no conflito com a Ucrânia só ocorrerá se as tropas ucranianas se retirarem das regiões que optaram por se unir à Rússia. Segundo Putin, essas localidades enfrentaram perseguições sob o governo de Volodymyr Zelensky. A Rússia expressou o desejo de paz, mas destacou que não abrirá mão dessas condições.
Durante uma entrevista à imprensa no Quirguistão, onde participava de uma cúpula do Tratado de Organização de Segurança Coletiva, Putin criticou a pressão dos Estados Unidos para que a Rússia interrompesse seu avanço militar sem que questões essenciais fossem resolvidas. Ele reiterou que as forças ucranianas precisam se retirar para que os combates cessem, e que, caso contrário, a Rússia buscará isso por meio de força militar.
Putin também comentou sobre o envolvimento dos EUA, afirmando que a proposta norte-americana poderia servir como base para futuros acordos, mas precisava ser discutida em detalhes. O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, deverá visitar Moscou na próxima semana para retomar as negociações sobre a Ucrânia. Entretanto, Putin destacou que ainda é cedo para falar em um acordo de paz, pois as conversas iniciais não trouxeram resultados concretos.
O presidente russo explicou que uma série de negociações ocorreu recentemente entre delegados dos EUA e da Ucrânia, mas os termos finais ainda não foram definidos. Ele ressaltou que é necessário um diálogo mais sério para tratar de questões específicas.
Em relação ao vazamento de conversas telefônicas entre assessores russos e americanos, Putin não descartou a possibilidade de que as informações fossem enganosas ou obtidas de forma ilícita. Ele associou essas revelações ao conflito de opiniões nos Estados Unidos sobre como encerrar a guerra.
No que diz respeito à situação na linha de frente, Putin descreveu como as forças russas avançam em várias localidades e ressaltou que, se os combates continuarem, é possível que a frente militar ucraniana entre em colapso. O presidente russo mencionou que a Rússia atualmente controla a maior parte de algumas cidades estratégicas e que os combates estão se intensificando.
Putin enfatizou que existem vozes no Ocidente que buscam encerrar o conflito rapidamente, reconhecendo as potenciais consequências de uma escalada da guerra. Ele também fez menção a relatos sobre a situação das tropas ucranianas, afirmando que muitos soldados parecem estar em condições precárias.
Além disso, Putin reiterou as exigências russas já conhecidas, que incluem a não adesão da Ucrânia à OTAN e a restauração de direitos linguísticos e religiosos. Ele também falou sobre a política russa de não agressão em relação à Europa, afirmando que a Rússia nunca teve a intenção de atacar o continente.
Por fim, quanto à proposta de retornar ao G8, Putin disse que a Rússia não pediu para voltar ao grupo e que se afastou antes de a situação na Ucrânia se agravar, expressando ceticismo quanto a um possível diálogo com os líderes ocidentais.
