O uso crescente de redes sociais entre crianças tem sido associado a um desempenho cognitivo mais baixo. Um estudo com 6.554 adolescentes de 9 a 13 anos mostrou que, quanto mais tempo passaram nas redes sociais, pioraram em testes de leitura, memória e vocabulário.

    Esses pré-adolescentes passam, em média, 5 horas e 30 minutos por dia em telas, sem contar atividades escolares. Grande parte desse tempo é dedicada às redes sociais, onde criam e consomem conteúdos. Diferente de simplesmente assistir a TV, que é uma atividade passiva, as redes sociais exigem participação ativa, como rolar feeds e verificar notificações, o que exige mais do cérebro. Esse engajamento constante torna a experiência nas redes muito mais desafiadora mentalmente.

    Estudos anteriores já mostraram que o uso excessivo de redes sociais pode aumentar o risco de problemas de saúde mental entre os jovens. Porém, a relação entre o tempo gasto nas redes e o desempenho cognitivo ainda não estava clara. Por isso, os pesquisadores queriam entender se a quantidade de tempo que os adolescentes gastam nas redes sociais ao longo do tempo afeta suas habilidades cognitivas.

    Para essa análise, o time utilizou dados do estudo “Adolescent Brain Cognitive Development (ABCD)”, que acompanha crianças desde a infância até a adolescência. Eles monitoram o desenvolvimento cerebral, habilidades cognitivas e mudanças comportamentais de 11.880 crianças durante os anos.

    Seis mil quinhentos e cinquenta e quatro adolescentes foram selecionados, com 51,1% meninos e 48,9% meninas. Os dados foram coletados em três momentos: antes do estudo (2016–2018, idades de 9 a 10 anos), no primeiro ano (2017–2019) e no segundo ano (2018–2020).

    Para acompanhar as mudanças nos hábitos de redes sociais dos adolescentes enquanto cresciam, usaram uma técnica chamada modelagem de trajetória, que ajuda a identificar padrões de uso. A maioria (57,6%) não usava ou usava muito pouco, cerca de um terço (36,6%) usava de forma baixa, mas crescia com o tempo, e um grupo menor (5,8%) apresentou um uso alto e crescente.

    Para medir o desempenho cognitivo, os pesquisadores utilizaram a “NIH Toolbox Cognition Battery”, que é uma série de testes padronizados que avaliam leitura, memória sequencial, velocidade de comparação de padrões e vocabulário de imagens.

    Os resultados mostraram que as crianças que usavam redes sociais de forma alta e crescente obtiveram as piores notas em vários testes, especialmente nas áreas de linguagem e memória. Os resultados pioraram à medida que o uso das redes aumentava, enquanto aqueles que praticamente não utilizavam as redes sociais se destacaram com as notas mais altas. Essa pesquisa destaca a necessidade de regras mais rigorosas para o uso das redes sociais, especialmente para crianças.

    O estudo é observacional, o que significa que conseguiu detectar correlações, mas não determinar uma relação de causa e efeito. Para criar intervenções eficientes, são necessários mais estudos que explorem as razões para a queda cognitiva e como as diferentes redes sociais podem contribuir para esses resultados.

    Essas descobertas levantam questões sobre como o consumo de redes sociais afeta o aprendizado e o desenvolvimento das crianças. Mais pesquisas são essenciais para entender os impactos a longo prazo e como manejar esse uso de modo que não prejudique o desenvolvimento das habilidades cognitivas.

    Os pais e educadores devem ficar atentos e considerar o tempo que as crianças passam conectadas. Promover atividades que incentivem o desenvolvimento cognitivo fora das telas pode ser uma boa estratégia.Criar um equilíbrio saudável entre o uso da tecnologia e atividades que estimulem a mente e o corpo é crucial para o bem-estar dos jovens.

    As redes sociais são uma parte importante da vida dos adolescentes hoje, mas é fundamental que o tempo gasto nelas não comprometa o aprendizado e a saúde mental. Criar momentos de desconexão para se dedicar a hobbies, leituras ou até brincadeiras ao ar livre pode ajudar a equilibrar essa realidade.

    Se você é pai ou mãe, vale a pena observar o que seus filhos estão fazendo nas redes sociais e conversar sobre isso com eles. Criar um espaço para diálogo e compreensão sobre o uso da tecnologia é essencial.

    Proporcionar alternativas, como esportes, jogos de tabuleiro ou leitura em grupo, pode ser uma maneira eficaz de garantir que as crianças desenvolvam habilidades sociais e cognitivas fora do ambiente virtual. Além disso, podem ajudar a fortalecer laços familiares e amizades de modo mais saudável.

    Em resumo, enquanto as redes sociais fazem parte do cotidiano das crianças, é importante encontrar formas de uso conscientes. A pesquisa mostra que o equilíbrio é a chave para o desenvolvimento saudável, tanto mental quanto emocional. Estar atento a essas questões é fundamental para garantir que as novas gerações tenham a melhor base possível para o futuro.

    Esse assunto continua relevante e merece atenção contínua, tanto de estudos quanto de práticas familiares. Com uma abordagem equilibrada, é possível aproveitar os benefícios das redes sociais, minimizando seus impactos negativos.

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