TikTok está passando por uma grande mudança nos Estados Unidos, que se arrasta há quatro anos. A questão central é: uma empresa chinesa pode lidar com os dados de mais de 150 milhões de americanos? Essa dúvida gerou brigas na Justiça, dramas políticos e várias prorrogações de prazos.
Recentemente, muitos começaram a se preocupar com um possível “apagão” da plataforma, mas o TikTok retornou silenciosamente às lojas de aplicativos em fevereiro deste ano. Após quatro extensões do prazo de proibição, o presidente Donald Trump anunciou que o TikTok chegou a um acordo, transferindo uma parte da sua operação nos EUA para investidores americanos.
Há uma semana do fechamento do negócio, Trump disse que o presidente da China, Xi Jinping, já tinha dado o sinal verde para o acordo. A empresa mãe do TikTok, a ByteDance, também mencionou que cooperaria para deixar a plataforma disponível para os usuários americanos. A expectativa é que o negócio finalize em 22 de janeiro de 2026.
O CEO da TikTok, Shou Zi Chew, falou para os colaboradores que a companhia assinou um acordo que transformará os negócios americanos em uma nova entidade controlada pelos EUA. Assim, a operação local será gerida por uma nova empresa chamada TikTok USDS Joint Venture LLC. De acordo com documentos internos, a propriedade será dividida entre investidores americanos e a ByteDance.
Investidores, como Oracle, a empresa de investimentos Silver Lake e a MGX, controlarão cerca de 45% da operação. A ByteDance ficará com menos de 20%, enquanto outros investidores minoritários ocuparão o restante. O TikTok nos EUA é avaliado em aproximadamente 14 bilhões de dólares.
A Oracle terá um papel importante nesse novo arranjo, sendo o “parceiro de segurança confiável” do TikTok. Eles ficarão responsáveis pela proteção de dados, moderação de conteúdo e garantias de software. A Oracle já armazena os dados dos usuários americanos e tentou comprar a plataforma durante o governo Trump, em 2020.
Um ponto crucial do acordo é o algoritmo de recomendação do TikTok. A Oracle vai replicar e proteger uma versão do algoritmo que funcionará nos EUA. A ByteDance vai alugar essa tecnologia, mas não terá acesso aos dados dos usuários americanos nem controle sobre a versão dos EUA do algoritmo.
Sobre o que isso significa para os usuários do TikTok nos EUA: o aplicativo atual será substituído. Depois que a transação for concluída, a versão existente do aplicativo será descontinuada, e os usuários precisarão migrar para a nova plataforma que será operada sob a nova estrutura de propriedade.
Como vai ser essa nova versão e quais mudanças podem ocorrer ainda não está claro. Por enquanto, os usuários americanos podem continuar usando o TikTok como sempre, mas mudanças significativas estão por vir.
Esse processo começou em agosto de 2020, quando Trump anunciou um decreto para banir transações com a ByteDance, alegando preocupações de segurança nacional. Durante sua administração, tentaram forçar a venda das operações do TikTok nos EUA, com nomes como Microsoft, Oracle e Walmart surgindo como possíveis compradores.
No entanto, um juiz dos EUA bloqueou essa ordem, garantindo que o TikTok continuasse em funcionamento enquanto as ações legais seguiam. A questão voltou à tona na administração Biden, quando o Congresso aprovou uma legislação que afetava o TikTok. O presidente Biden encerrou esta fase assinando a lei, enquanto o TikTok processava o governo, alegando violação dos direitos da Primeira Emenda.
Com a mudança para o governo Biden, a postura em relação ao TikTok se alterou. Ao invés de simplesmente banir a plataforma, começaram a considerar um modelo de propriedade compartilhada entre a ByteDance e empresas americanas. Isso gerou uma intensa corrida de investidores, com grupos como o “People’s Bid for TikTok” de Frank McCourt e o Consócio de Investidores Americanos de Jesse Tinsley.
Após meses de negociações e chats entre Washington e Pequim, o acordo atual finalmente surgiu. Esse entendimento não só define a propriedade do TikTok, mas também altera o futuro de como plataformas tecnológicas globais respondem a pressões políticas.
Para o governo dos EUA, é uma tentiva inédita de modificar a estrutura de uma das maiores plataformas sociais do mundo, sem um banimento completo. Para a ByteDance, é um meio de garantir a sobrevivência do TikTok na América, mas com a perda de controle significativo. Para os usuários, isso significa que o app que eles amam está prestes a mudar, mesmo que o logo continue o mesmo.
Ainda não se sabe se isso será um modelo para regular empresas de tecnologia estrangeiras ou simplesmente um dos divórcios mais complicados da história da internet. Mas uma coisa é certa: o TikTok nos EUA não será mais o mesmo.
Enquanto as mudanças se preparam para acontecer, usuários podem acessar suas contas e criar conteúdos, mas a expectativa é que novidades surjam em breve. Caso precise de dicas, o TikTok também oferece recursos como a opção de economizar dados para quem se preocupa com consumo durante o uso do app.
A transição promete transformar a maneira como a plataforma opera e como os usuários interagem com a tecnologia de uma forma mais segura e sob padrões diferentes, mantendo a essência do que é ser TikTok.
