A partir de 2026, o setor de inteligência artificial da China registrou avanços significativos, o que mostra um crescimento acelerado em sua produção de chips e na formação de modelos, enquanto as restrições de exportação dos EUA limitam o acesso a equipamentos avançados da Nvidia.

    Recentemente, a Biren Technology, uma empresa de Xangai, entrou na bolsa de Hong Kong. As ações da companhia subiram 82,1% logo na estreia, arrecadando 717 milhões de dólares, no maior desempenho do primeiro dia em listagens acima de 700 milhões desde 2021. Essa procura intensa foi mais de 2.300 vezes maior que a oferta disponível.

    Depois da Biren, a subsidiária de chips Baidu, a Kunlunxin, também fez um pedido para se listar em Hong Kong, segundo documentos regulatórios. A JPMorgan projeta que as vendas de chips da Kunlunxin podem atingir 8 bilhões de yuans até 2026, um crescimento considerável em relação aos 1,3 bilhões de 2024. Outras startups de IA, como MiniMax e Zhipu, estão se preparando para levantar mais de 1 bilhão de dólares em rodadas de investimento.

    Recentemente, as empresas estatais de telecomunicações, como China Mobile e China Telecom, começaram a usar os chips da Biren em centros de dados, conforme declararam os responsáveis pela empresa. Este movimento mostra a crescente adoção da tecnologia local.

    A Biren está apostando em uma arquitetura de chiplet com seu acelerador BR100, que é fabricado com um processo de 7 nanômetros da TSMC, um pouco atrasado em relação aos chips líderes da Nvidia. Essa abordagem melhora a produção em cerca de 20% e reduz custos. Com um foco em eficiência, a empresa busca destacar-se em um mercado exigente.

    Enquanto muitos investidores apostam nos papéis de chips, a DeepSeek lançou um estudo que chamou a atenção. O artigo apresenta uma nova técnica chamada Manifold-Constrained Hyper-Connections (mHC), que ajuda a escalar modelos de IA sem o caos computacional comum nas grandes execuções de treinamento.

    O estudo foi conduzido por uma equipe de 19 pesquisadores que testou o método em modelos com 3 bilhões, 9 bilhões e 27 bilhões de parâmetros. O resultado foi positivo: até os modelos maiores manteve-se estáveis, o que geralmente é uma tarefa complicada e cara.

    Wei Sun, da Counterpoint Research, comentou que esse desenvolvimento representa um grande avanço. O destaque está na combinação de várias técnicas de otimização que reduzem custos de treinamento e podem até melhorar o desempenho em raciocínio. É comparável a encontrar vários atalhos que diminuem o tempo de uma viagem.

    Liang Wenfeng, fundador da DeepSeek e autor principal do estudo, está pessoalmente envolvido nessa inovação. Isso levanta especulações sobre um grande lançamento de modelo previsto para acontecer em meados de fevereiro, durante o Festival da Primavera, um período importante na China.

    O que tudo isso significa? A China está em um novo jogo. Enquanto laboratórios ocidentais competem para ter os maiores clusters de GPU, empresas chinesas estão se concentrando em otimizar sua eficiência diante de limitações.

    Os chips da Kunlunxin se destacam na execução de modelos após o treinamento, ao invés do treinamento em si, que geralmente requer equipamentos da Nvidia. Essa área representa 80% do volume de trabalho global em IA, mas recebe menos atenção após o treinamento. Para aplicações comerciais, isso é o que realmente importa: se treina uma vez e depois executa milhões de consultas.

    O modelo R1 da DeepSeek já mostrou que essa abordagem pode funcionar em grande escala, entregando performance semelhante a modelos ocidentais caros. Se o mHC cumprir suas promessas, o Brasil ganharia mais vantagem em termos de custo.

    O que se deve ter em mente é que empresas de IA ocidentais passaram anos acreditando que o acesso superior a computação era uma vantagem indiscutível. Essa suspeita agora está em teste. Não porque a China equiparou o hardware, mas sim porque mudaram a equação da eficiência, fazendo a diferença entre as máquinas se tornar menos relevante.

    O forte desempenho da Biren na bolsa mostra que investidores acreditam nas estratégias adotadas pela empresa. O aumento de 82% não foi só uma euforia do varejo; reflete uma convicção de grandes grupos de que a produção interna de chips pode atender a um mercado local enorme, mesmo que não alcance a Nvidia em especificações brutas.

    O primeiro dia de negociação em 2026 deixou claro: o setor de IA da China não está esperando autorização para avançar. A competitividade está aumentando, e as empresas estão se posicionando para conquistar o espaço que desejam.

    No contexto recente, os EUA finalmente aprovaram a exportação do chip Nvidia H200 para a China. Essa ironia mostra que a “Guerra dos Chips” entrou em uma nova fase, deixando evidente um campo de batalha com suas próprias regras e estratégias.

    O futuro da inteligência artificial na China é promissor e voltado para a inovação, com muitos players se destacando no cenário global. A eficiência e a criatividade parecem ser a chave para esse novo capítulo, reforçando uma mudança significativa nos padrões da indústria.

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