Belo Horizonte: Cidade das Árvores e Frutas
Belo Horizonte, já conhecida como “Cidade Árvore”, também poderia ser vista como um grande pomar. A capital de Minas Gerais abriga cerca de 18 mil espécies frutíferas entre as 229.729 árvores que já foram cadastradas. Esse número pode ser ainda maior, visto que estima-se que haja cerca de 550 mil árvores na cidade, mas muitas ainda não foram incluídas no inventário iniciado em 2010.
Conforme dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), até novembro deste ano, foram registrados 16.822 exemplares de árvores com frutos comestíveis. Essas árvores estão espalhadas pelas nove regionais da cidade. As cinco espécies mais comuns são a castanheira, goiabeira, mangueira, pitangueira e amoreira. Algumas dessas árvores, como as mangueiras da Avenida Alfredo Balena, são consideradas patrimônio público e não podem ser cortadas.
Além das espécies comuns, a cidade abriga raridades da flora brasileira e também algumas espécies exóticas. Um exemplo é a grumixama, conhecida como cereja brasileira. Esta árvore, nativa da Mata Atlântica, produz uma fruta roxa com polpa branca, semelhante à cereja típica encontrada no país. Existem 24 grumixamas catalogadas em Belo Horizonte, uma delas localizada na Rua Ceará, no Bairro Funcionários, que também abriga outras frutíferas como castanheira, abacate e cajá.
A Experiência de Plantar em Casa
Adriana Vilaça, uma moradora da Rua Ceará, plantou um pé de graviola há cerca de quatro anos. O fruto, originário do Caribe, é muito apreciado no Nordeste. Adriana e sua comadre gostaram tanto da fruta que decidiram plantar as sementes. A muda cresceu e foi replantada em um espaço do passeio, onde uma árvore havia sido removida pela Prefeitura.
Ela expressa sua paixão por cultivar árvores e a frustração com os danos que algumas sofrem devido a vandalismo. Adriana sonha em ver sua rua repleta de árvores frutíferas.
Frutas de Aromas e Sabores Diversos
Na Praça Orivaldo Silva de Oliveira, no Bairro Campo Alegre, um bacuparizeiro tem chamado a atenção. Essa árvore produz bacupari, uma fruta doce e forte, muito consumida no Pará, e que pode levar entre oito e 12 anos para frutificar. Ela é um exemplo de como a capital mineira também conserva espécies típicas da Amazônia.
Outro destaque é o pequi, símbolo do Cerrado e que hoje enfrenta risco de extinção. Em Belo Horizonte, existem pelo menos cinco pés dessa árvore, que não podem ser cortados sem autorização adequada. O pequi é uma espécie protegida por leis que visam sua preservação.
Além dessas, a cidade conta com diversas amoreiras, uma espécie originária da Ásia, com 627 pés catalogados.
Cuidados e Recomendações
Apesar da riqueza em árvores frutíferas, a SMMA orienta cautela quanto ao consumo dessas frutas. A poluição urbana pode causar contaminação, e existe o risco de reações alérgicas. A recomendação é evitar o consumo de frutas que crescem em áreas com alta circulação de veículos. No entanto, frutas de árvores localizadas em parques, como o Parque Municipal, podem ser consumidas, pois são geralmente mais limpas.
A prefeitura também desencoraja o plantio de árvores frutíferas em calçadas devido aos possíveis riscos associados, como o surgimento de pragas e a possibilidade de acidentes. Essas orientações foram estabelecidas em 2010, quando foi aprovada uma norma sobre arborização urbana.
Como Realizar o Plantio
Os cidadãos que desejam plantar árvores em espaços públicos devem solicitar esse serviço à PBH. A solicitação deve ser feita por meio do portal da prefeitura, e o plantio ocorre entre setembro e fevereiro, aproveitando o período de chuvas. Ao solicitar, o morador pode sugerir a espécie, mas a decisão final cabe aos técnicos da prefeitura, que avaliam a adequação do local.
O Plano Municipal de Arborização Urbana (Pmau), lançado recentemente, apresenta diretrizes para a proteção e expansão das áreas verdes na cidade, incluindo ações voltadas para a educação ambiental e o aumento da arborização.
A cidade, rica em diversidade de árvores, continua a ser um local onde o verde e as frutas convivem em harmonia, contribuindo para a qualidade de vida de seus habitantes.
