Um novo documento foi elaborado para melhorar o atendimento às mulheres em fase de climatério, menopausa e pós-menopausa nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade. A “Linha de Cuidados para a Mulher no Climatério, Menopausa e Pós-Menopausa” busca oferecer um acolhimento mais abrangente e um atendimento coordenado por equipes multidisciplinares. Este material deve ser lançado até o final deste ano e complementa um protocolo de terapia hormonal que já orienta sobre as opções disponíveis na rede pública de saúde.
A história da dona de casa Jacira Lima Franco de Souza, de 59 anos, ilustra a importância dessa iniciativa. Desde os 40 anos, Jacira enfrentou sintomas como cansaço, falta de energia e depressão, que impactaram sua vida pessoal e profissional. Foi apenas ao frequentar a UBS Jardim Mitsutani, na zona sul da capital, que ela e os médicos descobriram que estava vivendo os efeitos do climatério e da menopausa. Jacira lamenta não ter recebido recomendações sobre terapia hormonal antes, afirmando que isso poderia ter melhorado sua qualidade de vida. Atualmente, ela utiliza apenas um creme para o ressecamento vaginal e ainda enfrenta dificuldades com ondas de calor.
A nova linha de cuidados deverá garantir que mulheres como Jacira recebam um atendimento integral e acompanhadas por uma equipe que inclui médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas. A coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher, Ligia Santos Mascarenhas, destaca que só em São Paulo existem mais de 4 milhões de mulheres entre 40 e 70 anos e que a menopausa é uma fase natural que não deve ser negligenciada.
Os sintomas mais comuns associados ao climatério incluem mudanças emocionais, ganho de peso, perda de massa óssea e problemas cardiovasculares. Ligia ressalta que existem diversas opções de tratamento disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo medicamentos fitoterápicos e práticas integrativas, como yoga e acupuntura. A terapia de reposição hormonal pode ser prescrita por médicos de diferentes especialidades, sempre considerando a saúde individual da paciente.
A ginecologista Karina Cidrim, que atende na UBS Jardim Mitsutani e na UBS Arrastão, adotou uma abordagem integral no cuidado das pacientes. Durante um encontro recente, Karina se dedicou a conversar com um grupo de mulheres sobre a saúde durante a menopausa, enfatizando a importância de discutir abertamente o tema. Muitas mulheres nessa fase enfrentam tabus e receios, mas há reconhecimento de que tratamentos efetivos podem melhorar a qualidade de vida.
Uma das participantes do grupo, Vera Lúcia Souza da Silva, que faz reposição hormonal, relatou uma melhora significativa em sua saúde e ressaltou a necessidade de quebrar mitos em relação à menopausa. A ginecologista Karina destacou que a troca de experiências entre as mulheres é muito valiosa e que o suporte multidisciplinar enriquece o atendimento.
As mulheres que sentirem sintomas relacionados à menopausa ou que precisarem de orientação devem procurar sua Unidade Básica de Saúde. Os endereços das UBSs podem ser consultados na plataforma de saúde da cidade.
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