A confiança em um robô-táxi vai além de quão bem ele dirige; está também na forma como se apresenta. A Waymo aprendeu isso na prática.

    A empresa está prestes a lançar seu próximo robô-táxi e decidiu abandonar o nome Zeekr RT, que era de um modelo criado por uma marca chinesa de veículos elétricos. Em vez disso, escolheram um nome mais simples e que soa mais familiar para os americanos: Ojai (pronunciado como “oh-hai”).

    A Waymo percebeu que o nome Zeekr não era muito conhecido entre os passageiros nos Estados Unidos. O porta-voz da empresa, Chris Bonelli, disse que concluíram que a marca tinha pouca familiaridade para os consumidores americanos.

    Em contraste, Ojai tem um som aconchegante e acolhedor. O nome vem de uma pequena cidade da Califórnia, perto das montanhas Topatopa. Esse local é famoso por sua cultura artística e foco no bem-estar. Essa ideia de acolhimento pode até refletir na experiência do passageiro. Quando os clientes entrarem no veículo, o robô-táxi deve saudá-los com um amigável “Oi, tudo bem?” seguido de seu nome.

    A relação da Waymo com a Zeekr começou em 2021, quando firmaram um acordo com a Geely Holding Group, a empresa-mãe da marca. Um ano depois, a parceria se concretizou com um evento em Los Angeles, onde apresentaram um conceito de robô-táxi desenvolvido para esse objetivo. Esse veículo foi construído com base na arquitetura SEA-M da Zeekr, uma plataforma feita especialmente para robô-táxis e frotas de logística, não para carros de passeio comuns.

    Desde então, o veículo que agora se chama Ojai passou por anos de testes e ajustes nas ruas de Phoenix e San Francisco. No evento CES do ano passado, a Waymo apresentou oficialmente o nome Zeekr RT e mostrou toda a tecnologia que o acompanha: são 13 câmeras, quatro unidades de lidar, seis sensores de radar e até pequenos limpadores para manter os sensores limpos.

    Apesar do nome ter mudado, o hardware do veículo permanece o mesmo. Porém, o visual sofreu algumas mudanças. A Waymo comentou que a pintura azul anterior foi trocada por um acabamento prata mais elegante. Essas últimas melhorias acontecem enquanto Ojai se aproxima do lançamento comercial. Funcionários da Waymo, junto com amigos e familiares, já podem ver o veículo em San Francisco e Phoenix. Essa etapa costuma ser um teste antes da liberação ao público em geral. Tudo isso ocorre enquanto a Waymo acelera sua expansão.

    Uma situação parecida aconteceu quando a Oxbotica, uma empresa de software para veículos autônomos, mudou seu nome para Oxa em 2023. Assim como a decisão da Waymo de renomear o robô-táxi Zeekr para Ojai, essa mudança faz parte de uma estratégia para se posicionar melhor para um crescimento global e para a implementação comercial.

    Essa rebranding mostra que a Waymo está pensando além da autonomia como um desafio técnico. À medida que os robô-táxis deixam de ser apenas uma novidade e se tornam parte da rotina, a escolha dos nomes, o tom e as primeiras impressões podem ter tanta importância quanto sensores e software.

    Com a chegada dos robô-táxis em novas cidades, como Londres até 2026, a Waymo contará com um parceiro local, a Moove, para gerenciar sua frota de veículos autônomos. Essa parceria deve ajudar a garantir que o serviço funcione bem desde o início.

    O desenvolvimento contínuo dos robô-táxis tem potencial para transformar como as pessoas se deslocam nas cidades. A confiança no robô-táxi Ojai não vem apenas da tecnologia em si, mas também da experiência que ele proporciona. Isso implica não somente em um bom funcionamento, mas em quão agradável e acessível ele se apresenta.

    Assim, a Waymo está explorando como o design dos robô-táxis pode afetar a aceitação do público. A ideia de que um veículo pode se apresentar de forma amigável pode fazer a diferença na escolha de usar um robô-táxi em vez de táxis tradicionais. O impacto imediato nas interações com o veículo pode levar a uma maior adesão à tecnologia.

    O Ojai não é apenas um meio de transporte; é também uma nova forma de interação entre tecnologia e usuário. O design e a personalização são abordagens que tornam a experiência mais humana e menos alienante. Assim, os detalhes mais sutis, como como o veículo se apresenta aos passageiros, podem ser tão importantes quanto suas capacidades técnicas.

    Conforme a Waymo avança em seus planos, a expectativa é que os robô-táxis se tornem parte do dia a dia das pessoas. Essa mudança não é apenas uma questão de inovação tecnológica, mas também de construir uma relação de confiança e familiaridade com os usuários.

    Os desenvolvimentos futuros de robô-táxis podem muito bem influenciar o transporte urbano e a forma como nos movemos nas cidades. A constante evolução nesse setor pode trazer soluções mais acessíveis e eficientes para a mobilidade nas áreas urbanas.

    Assim, o Ojai representa não apenas uma mudança de nome, mas uma nova abordagem em como interagimos com a tecnologia no dia a dia. Além das melhorias em hardware, o comprometimento em se conectar de forma mais pessoal com os usuários é um passo significativo nessa direção.

    Conforme a Waymo prossegue com suas inovações e lançamentos, o foco na experiência do usuário será crucial. Com um olhar atento aos detalhes, a empresa demonstra a importância de não apenas desenvolver a tecnologia, mas também de torná-la acessível e amigável para o público.

    Os robô-táxis podem estar no futuro, mas é através de uma comunicação clara e acolhedora que eles se tornarão parte da vida cotidiana das pessoas. Assim, cada interação pode se transformar em uma nova oportunidade para estreitar laços entre tecnologia e ser humano no transporte urbano.

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