Falhas na Saúde Básica em Tangará da Serra: Relatório Revela Problemas e Solicita Ações

    A saúde básica em Tangará da Serra, cidade localizada a 242 km de Cuiabá, enfrenta sérios problemas, como a falta de médicos, demora na aplicação de vacinas e escassez de medicamentos. Um estudo recente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) revelou falhas significativas na organização das equipes de saúde e na oferta de serviços, o que pode comprometer o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

    A avaliação feita pelo TCE abrangeu aspectos como a estrutura física das unidades de saúde e a composição das equipes. Um dos pontos mais críticos destacados foi a fragilidade das equipes de Atenção Básica. O município enfrenta a falta de profissionais, como agentes comunitários de saúde, cirurgiões-dentistas e outros técnicos da área odontológica. Além disso, foi identificado que pelo menos uma UBS está com descontinuidade no atendimento médico.

    O conselheiro Antonio Joaquim, relator do processo, enfatizou a gravidade da situação, que requer planejamento e ações imediatas por parte da administração municipal. Ele alertou que a Atenção Primária é essencial para o funcionamento do sistema de saúde e que qualquer falha nesse nível afeta toda a rede de atendimento.

    Entre as recomendações do TCE está a necessidade de a Prefeitura tornar mais claras e acessíveis as informações sobre as UBS, incluindo horas de funcionamento, equipes e serviços disponíveis. Também foi solicitado que sejam ampliadas as equipes de saúde, especialmente no que diz respeito a agentes comunitários e profissionais de odontologia, em conformidade com a Política Nacional de Atenção Básica.

    Outra unidade que a avaliação destacou foi a Unidade de Saúde da Família do Parque Figueira, que enfrenta a falta de médicos constantes. O relator alertou que é fundamental um planejamento formal, com cronogramas e medidas eficazes para garantir a permanência desses profissionais e evitar interrupções no atendimento.

    Além da falta de profissionais, o levantamento apontou problemas na gestão de recursos humanos, com a dificuldade de substituição de profissionais afastados, o que acaba sobrecarregando as equipes que permanecem. Também foram identificadas falhas na estrutura das UBS, incluindo a falta de equipamentos essenciais e a ausência de manutenção preventiva.

    Na área farmacêutica, foi recomendada a ampliação do quadro de profissionais para assegurar a disponibilidade de medicamentos. O estudo também chamou atenção para a importância de garantir a regularidade na oferta de vacinas, sugerindo ações de busca ativa para aumentar a cobertura vacinal.

    O relatório também ressaltou a necessidade de manter a documentação das UBS em dia, incluindo alvarás da Vigilância Sanitária e documentos do Corpo de Bombeiros. A Prefeitura deve estabelecer rotinas para acompanhar obras e correções estruturais, definindo prazos e responsáveis.

    Ao final da avaliação, o TCE determinou a criação de um processo de monitoramento para garantir que a Prefeitura adote as ações recomendadas. O relator destacou que a atuação do Tribunal vai além das recomendações, sendo essencial a implementação das correções em benefício da população.

    A reportagem também buscou um posicionamento da Prefeitura de Tangará da Serra, mas até o fechamento deste texto não houve retorno. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

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