Crítica à Imigração nos Estados Unidos

    O papa Leão 14 tem sido alvo de críticas de alguns católicos conservadores nos Estados Unidos, especialmente sobre sua posição em relação à imigração. Jesse Romero, um podcaster católico e apoiador do ex-presidente Donald Trump, expressou sua indignação. Segundo Romero, o papa deveria se concentrar em questões espirituais e deixar de comentar sobre assuntos políticos, como a imigração.

    Atualmente, cerca de 20% da população americana se identifica como católica, o que representa um número significativo de fiéis com influência na política do país. Católicos desempenharam papéis importantes nas campanhas de Trump, incluindo figuras como o vice-presidente J.D. Vance. Entretanto, a política de deportações em massa do governo tem gerado descontentamento entre os católicos, especialmente os de origem hispânica, que frequentemente se opõem a essa abordagem.

    Nas reuniões de líderes católicos e na escolha do novo papa, muitos esperavam que houvesse um alinhamento mais próximo com as visões conservadoras. Porém, o papa Leão 14 tem destacado o tratamento dos imigrantes nos EUA, pedindo por uma reflexão profunda sobre o assunto. Em uma de suas declarações, ele lembrou o evangelho de Mateus, que enfatiza a importância de acolher o estrangeiro.

    A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos fez uma declaração em apoio aos imigrantes, expressando preocupação com o ambiente de medo e ansiedade que permeia as comunidades. A nota é a primeira de sua natureza em 12 anos e recebeu o apoio do papa, que pediu atenção a essa mensagem.

    Na última sexta-feira, durante um discurso para embaixadores no Vaticano, o papa reiterou a importância de respeitar leis humanitárias e condenou a diplomacia baseada na força. Embora não tenha nomeado líderes em particular, suas palavras foram interpretadas como uma crítica ao governo Trump, especialmente em relação às operações militares na Venezuela.

    O diretor do Centro de Religião e Cultura da Universidade Fordham, David Gibson, observou que o relacionamento entre a Igreja e o governo atual é tenso. Enquanto os conservadores esperavam mudanças em relação ao seu antecessor, o papa Francisco, muitos se sentem frustrados com o atual papa, que continua abordando questões de justiça social e migração.

    Nos últimos meses, a secretária de imprensa da Casa Branca desafiou as declarações do papa, argumentando que a forma como os EUA tratam os imigrantes não é desumana. Essa posição reflete um apoio considerável entre os católicos brancos, que em sua maioria são favoráveis à política de imigração de Trump. Em contrapartida, apenas cerca de 30% dos católicos hispânicos apoiam essa abordagem.

    O apoio crescente dos católicos de direita está se refletindo na política, com líderes como o vice-presidente Vance, que defende uma visão de imigração que respeite as tradições religiosas. No entanto, muitos católicos demonstram desconforto com as políticas atuais e buscam formas de ajudar os imigrantes. Recentemente, uma missa foi realizada em protesto contra as condições enfrentadas por imigrantes detidos, mostrando a mobilização de fiéis em favor de uma abordagem mais humana.

    A paróquia de Santa Susana, em Massachusetts, chegou a substituir o menino Jesus em seu presépio por um cartaz que criticava as ações do ICE, o que gerou controvérsias e resistência por parte da Arquidiocese de Boston.

    Embora muitos católicos americanos mantenham posições conservadoras em questões como o aborto, a maioria se posiciona de maneira mais progressista comparado aos cristãos evangélicos, que tendem a apoiar candidatos republicanos. Atualmente, um terço dos católicos brancos vota no Partido Democrata, refletindo a diversidade de opiniões dentro da Igreja em relação às questões sociais.

    A situação atual dos imigrantes nos EUA é uma preocupação de muitos bispos, que veem um contraste claro entre a visão da Igreja e as atitudes do governo. O bispo Joseph Tyson, que apoiou a declaração da Conferência, indicou que a política atual não é apenas contrária aos ensinamentos católicos, mas também gera angústia nas comunidades a que eles servem.

    A pressão sobre os líderes da Igreja está crescendo, à medida que muitos têm se manifestado contra a política de deportação, buscando transformar a narrativa sobre imigração em uma questão de dignidade humana. A polarização sobre esses temas continua a desafiar a coesão dentro do catolicismo, destacando a complexidade do diálogo entre fé e política.

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