A Netflix lançou no início deste ano a minissérie Dele & Dela, que já está recebendo críticas negativas e é considerada uma das produções mais decepcionantes de 2026. A série conta com a participação de atores renomados, como Tessa Thompson e Jon Bernthal, mas transformou uma premissa interessante em um thriller melodramático que não agradou os espectadores.

    Baseada no romance homônimo de Alice Feeney, a trama gira em torno de Anna, interpretada por Tessa Thompson, uma jornalista de sucesso, e Jack, interpretado por Jon Bernthal, um detetive. Ambos vivem separados e enfrentam o luto pela perda do filho. Eles se reencontram em meio a um assassinato brutal na pequena cidade de Dahlonega, na Geórgia. No entanto, o mistério os envolve de maneira perigosa.

    Direção e Roteiro

    A série é dirigida por William Oldroyd, conhecido pelo filme Lady Macbeth, e Dee Johnson, que trabalha como showrunner, tem experiência em produções como Plantão Médico. Apesar dessa experiência, a execução da série foi considerada insatisfatória. Dele & Dela tenta capturar a atmosfera de séries de sucesso da HBO Max, como Mare of Easttown e Objetos Cortantes, mergulhando em uma narrativa onde traumas do passado se entrelaçam com o presente. Entretanto, a cidade de Dahlonega não é explorada como um personagem em si, apresentando-se apenas como um cenário genérico.

    Um dos principais problemas da minissérie é o desperdício de talentos. Tessa Thompson, que já se destacou em filmes como Creed, e Jon Bernthal, famoso por O Urso e O Justiceiro, tentam dar vida aos seus personagens, mas enfrentam diálogos fracos e decisões questionáveis. O elenco de apoio, que inclui Pablo Schreiber e Chris Bauer, também não tem suas habilidades aproveitadas, resultando em personagens muito simples.

    Narrativa e Temas

    Em seus seis episódios, a série apresenta uma narrativa que pode parecer sem lógica. O que deveria ser um suspense psicológico se transforma em uma sequência de falhas no roteiro. A produção aborda temas graves, como bullying, agressão sexual e luto, mas de maneira superficial, focando mais em choques do que em um desenvolvimento consistente dos personagens.

    A interação entre Anna e Jack parece forçada, e as inconsistências na narrativa dificultam a credibilidade de suas ações, que muitas vezes servem apenas para facilitar a trama. Ao contrário do livro, que apresentava nuances e complexidade, a adaptação se perde em gritos e reações exageradas que acabam diluindo a carga emocional.

    O resultado final é um clímax insatisfatório e uma resolução que pode frustrar muitos espectadores.

    Agora, com a série já lançada, muitos se perguntam se o roteiro realmente se perdeu ou se há algo a ser valorizado nas reviravoltas apresentadas.

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