Com a situação no Irã em crise e as tensões civis aumentando, a Rússia, seu aliado importante, está apenas observando os acontecimentos enquanto os Estados Unidos consideram como responder à República Islâmica. O presidente dos EUA, Donald Trump, já mencionou a possibilidade de ataques militares contra o governo iraniano, que é uma administração conservadora no poder desde 1979. Em um alerta recente, Trump declarou que os EUA tomariam medidas severas se o Irã prosseguir com a execução de manifestantes presos.
Além disso, Trump impôs uma tarifa de 25% sobre qualquer país que comercie com o Irã, uma ação que ele acredita ser uma forma de pressão econômica. Para a Rússia, a situação é preocupante, pois o Irã é um parceiro estratégico vital em várias áreas, como política, economia e segurança no Oriente Médio. A perda de influência no Irã seria preocupante para Moscou, especialmente após a deterioração de suas parcerias com a Venezuela e a Síria.
Especialistas apontam que a Rússia vê a possível queda do Irã como uma ameaça maior do que a perda de outros aliados, como a Síria, já que o Irã tem um papel significativo no equilíbrio de poder da região. Um eventual colapso do regime poderia criar um vácuo de poder e aumentar a instabilidade em áreas próximas, o que alarmaria Moscou.
Historicamente, a Rússia tem observado protestos no Irã sem agir, na expectativa de que o governo iraniano se mantenha firme. Porém, agora a pressão interna e externa sobre Teerã parece ter aumentado substancialmente. A queda do regime poderia obrigar a Rússia a procurar novas maneiras de lidar com a instabilidade e a manter alguma influência na região.
O governo russo ainda não se manifestou oficialmente sobre os protestos, embora a mídia estatais esteja minimizando a cobertura dos eventos. Em suas declarações, autoridades russas mencionaram que a agitação se deve a “interferência externa”, sem apresentar provas. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia alertou sobre as consequências que a instabilidade no Irã pode ter para o Oriente Médio e a segurança global.
A relação entre Rússia e Irã se fortaleceu, especialmente após a invasão da Ucrânia, já que o Irã se tornou um dos poucos aliados em que Moscou pode contar para apoio militar. Em troca, o Irã teria recebido assistência tecnológica e financiamento da Rússia. Contudo, houve hesitação por parte da Rússia em se envolver em conflitos diretos entre o Irã e Israel, o que demonstra uma limitação nas capacidades de apoio militar.
Analistas sugerem que o Kremlin estaria mais focado em proteger seus próprios interesses do que em salvar o governo iraniano, indicando que, caso haja uma mudança de regime no Irã, a Rússia tentaria se aproximar do novo governo para garantir que seus interesses continuem sendo respeitados. A saída da Rússia do Oriente Médio, numa situação como essa, seria um resultado indesejável para Moscou.
De maneira geral, a situação no Irã é acompanhada com grande cautela pela Rússia, que busca manter sua influência na região, mesmo diante das mudanças e tensões em curso.
