No dia 7 de janeiro, durante uma entrevista ao jornal Maringá Post, o prefeito Silvio Barros anunciou que uma das duas novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) planejadas para a cidade será administrada por uma empresa terceirizada. Essa declaração gerou descontentamento entre os moradores de Maringá, que já enfrentam problemas com os serviços prestados por empresas privadas.

    O histórico de Silvio Barros em relação à privatização de serviços públicos não é recente. Em 2025, ele já havia manifestado sua intenção de privatizar o Parque do Ingá, um conhecido ponto turístico da cidade. Em 2012, quando também ocupava o cargo de prefeito, Barros expressou a ideia de que projetos de sustentabilidade teriam maior chance de sucesso com a participação de empresas privadas, segundo registros da Assessoria de Imprensa da prefeitura.

    ### O Histórico da Gestão Privada na Saúde

    A gestão privada de unidades de saúde, como UPAs e Unidades Básicas de Saúde (UBSs), já ocorre em várias cidades do país. Organizações Sociais da Saúde (OSS) e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) são as responsáveis por essa administração. Essas empresas se inscrevem em editais lançados pelas prefeituras para gerir serviços de saúde.

    No entanto, esse modelo tem enfrentado críticas. Existem relatos sobre desvios de verbas, falta de atendimento às necessidades de pacientes e funcionários, além de precarização das condições de trabalho e atrasos nos salários. Em 2025, por exemplo, a empresa Mahatma Ghandi, que gerenciava UPAs em Santa Catarina, foi alvo de investigação por um desvio de R$ 1,6 bilhão em verbas públicas. Casos semelhantes ocorreram em Jaguari-RS e Embu das Artes-SP, onde o Instituto Riograndense de Desenvolvimento Social Integrado (Irdesi) estava sendo investigado por um desvio de R$ 22 milhões.

    No Distrito Federal, no dia 24 de novembro, recepcionistas de cinco UPAs, administradas pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF), entraram em greve. Os trabalhadores denunciavam atrasos de até 20 dias nos salários, e a greve foi anunciada como por tempo indeterminado.

    Em Joinville-SC, a empresa terceirizada Inova Alimentos Ltda, que ficava responsável pelas refeições do Hospital São José, também enfrentou críticas. Funcionários relataram condições de trabalho insalubres, como ter que dormir em estalagens da empresa ou até mesmo no chão. Trabalhadores mencionaram jornadas de até 28 horas seguidas, falta de pagamento do FGTS e ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs). Um exemplo destacado foi o de Márcia, mãe solteira que se machucou após realizar funções para as quais não estava treinada: “Eu carregava as cubas, coisas pesadas. Foi assim que machuquei o meu pulso.”

    Esses casos destacam as preocupações em relação à gestão terceirizada de serviços de saúde, evidenciando a necessidade de uma discussão mais aprofundada sobre a qualidade do atendimento e as condições de trabalho nas unidades geridas por empresas privadas.

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