A China está implementando uma nova diretriz que proíbe o uso de tecnologias de cibersegurança dos Estados Unidos e de Israel por empresas e órgãos públicos. A medida, que faz parte de uma estratégia mais ampla de buscar maior controle sobre a soberania digital, foi divulgada em um comunicado nesta quarta-feira, 14 de janeiro, com exigências que começam a valer em junho de 2026.

    O governo chinês alega que essa ação visa proteger dados sensíveis. Segundo um documento oficial do regulador de valores mobiliários, o uso de produtos estrangeiros pode facilitar o vazamento de informações importantes para o exterior ou criar vulnerabilidades nos sistemas de segurança. O governo também acusou algumas empresas de tecnologia ocidentais de terem laços com agências de inteligência, embora não tenha apresentado provas concretas para essas alegações.

    A decisão da China impacta negativamente gigantes da cibersegurança, como Palo Alto Networks, Fortinet e Check Point Software Technologies, mencionadas oficialmente na norma. Outras empresas conhecidas, como CrowdStrike, Mandiant (parte da Alphabet), McAfee e VMWare (Broadcom), também estão na lista de proibição. Representantes de algumas dessas empresas expressaram preocupação. Gil Geron, CEO da Orca Security, afirmou que restringir o acesso a ferramentas de segurança eficazes é um retrocesso para a proteção global das empresas. Por sua vez, a McAfee destacou que seus produtos são voltados para o uso doméstico, não governamental, e que está acompanhando a situação regulatória na China.

    Essa decisão se insere em um contexto mais amplo de tensões geopolíticas entre a China e os Estados Unidos. Primeiramente, os Estados Unidos já haviam tomado medidas para limitar a utilização de tecnologias chinesas em seus órgãos federais, citando riscos à segurança nacional. Em resposta, a China está adotando estratégias semelhantes para proteger seu mercado interno.

    Além disso, ao banir tecnologias estrangeiras, a China busca impulsionar o desenvolvimento de seus próprios fornecedores de cibersegurança, pretendendo alcançar um nível de independência tecnológica em relação ao Vale do Silício e aos centros de inovação israelenses.

    O prazo estabelecido para a transição e adequação das empresas é considerado severo por especialistas. Trocar sistemas de segurança essenciais em grandes corporações demandará um planejamento cuidadoso para evitar que haja interrupções nos serviços. Até junho de 2026, a ordenação é clara: apenas as tecnologias nacionais poderão ser utilizadas pelas companhias chinesas.

    Algumas empresas, como Recorded Future e SentinelOne, já não operam no mercado chinês, o que pode atenuar o impacto direto para elas, mas esse movimento reforça o crescente isolamento tecnológico entre as duas potências econômicas. O mercado agora espera a resposta oficial do Departamento de Comércio dos Estados Unidos a essa nova barreira comercial imposta pela China.

    Share.