No dia 12 de janeiro, a Comissão Nacional de Comunicações da Nigéria (NCC) deu a permissão oficial para que a Amazon Leo, anteriormente conhecida como Amazon Kupier, opere no país. Esse processo permitirá à empresa atuar no mercado nigeriano por sete anos, a partir de 28 de fevereiro de 2026, colocando a Nigéria entre os primeiros países da África a ter essa aprovação.

    Essa novidade é um alívio para o mercado de internet na Nigéria. Nos últimos dois anos, a Starlink dominou a comunicação via satélite no país. Porém, sua atuação foi marcada por altos e baixos, com preços que subiram rapidamente, capacidade limitada em áreas urbanas e novas exigências, como a biometria. Com isso, muitos nigerianos esperavam por uma alternativa mais viável.

    A chegada da Amazon finalmente acaba com essa espera. A nova licença permite que a Amazon Leo opere sua constelação de satélites em baixa órbita, com cerca de 3.236 satélites a uma altitude de 590 a 630 quilômetros da superfície da Terra.

    Esses satélites prometem oferecer internet rápida, com velocidades de até 400 Mbps para residências e 1 Gbps para clientes empresariais. Isso representa uma grande melhora na oferta de internet no país, especialmente em áreas mais remotas.

    Atualmente, o serviço de internet via satélite da Starlink ainda é caro, comparado à internet convencional. O kit usual da Starlink custa cerca de ₦590.000 (aproximadamente R$ 2.300), e o serviço mensal varia de ₦57.000 (cerca de R$ 230) para residências, até ₦159.000 (cerca de R$ 630) para empresas.

    Embora a Amazon Leo ainda não tenha revelado sua tabela de preços para a Nigéria, a sua entrada no mercado deve pressionar a Starlink a repensar seus valores. Se a Amazon conseguir oferecer preços mais competitivos ou custos iniciais mais baixos, poderá tornar a internet via satélite acessível para aqueles que não podiam pagar pelos planos da Starlink.

    Para oferecer internet rápida, a Amazon Leo utiliza uma tecnologia chamada Ka-band, que é diferente da Ku-band que a Starlink usa. Enquanto a Ku-band é confiável e permite o uso de antenas menores, ela enfrenta problemas em áreas com muita gente, como Lagos. Já a Ka-band oferece maior capacidade de dados em locais cheios, onde a demanda é alta.

    No entanto, a Ka-band tem um ponto fraco: é mais suscetível a interferências causadas pela chuva. Se chover forte e um satélite não conseguir passar o sinal, o sistema da Amazon pode rapidamente mudar para outro satélite que esteja em uma área mais limpa do céu, garantindo a continuidade da conexão.

    A licença de sete anos da Amazon Leo também indica um investimento significativo em infraestrutura tecnológica na Nigéria. Para oferecer internet de baixa latência, a Amazon precisa construir e manter uma rede de estações e gateways em todo o país. Isso inclui sistemas de energia, cabos de fibra ótica e parcerias com centros de distribuição.

    Esse investimento em infraestrutura impactará diretamente no mercado de trabalho nigeriano. A Amazon, ao entender a dinâmica local, deve evitar os erros cometidos pela Starlink. Espera-se que haja demanda por profissionais como engenheiros de rede e técnicos para operar essas estações, além de coordenadores de logística e cadeia de suprimentos para gerenciar a distribuição dos kits.

    A chegada da Amazon Leo não é apenas sobre internet para consumidores. A empresa está se posicionando como uma plataforma de conectividade em vários segmentos. Segundo informações, a licença da NCC abrange três categorias principais de serviços.

    A primeira é o Serviço de Satélite Fixo, que visa atender residências, escritórios e locais empresariais sem acesso confiável à internet por fibra. A segunda é o Serviço de Satélite Móvel, que conecta ativos móveis e é comumente utilizado em situações de emergência, operações de segurança e rastreamento de ativos em áreas remotas ou de alto risco.

    A terceira categoria é chamada Estações de Terra em Movimento, que fornece conectividade para plataformas em movimento, como navios, aviões, trens e veículos. Isso é especialmente importante para os setores de transporte, logística, aviação e marítimo na Nigéria, que enfrentam dificuldades em acessar internet constante.

    Ao abranger esses segmentos, a Amazon Leo se estabelece como algo além de uma simples fornecedora de internet residencial. Seu impacto pode ser sentido nas infraestruturas nacionais e nas indústrias que dependem de conectividade.

    Assim, a entrada da Amazon Leo na Nigéria promete transformar o cenário de internet no país, oferecendo às pessoas e empresas novas oportunidades de conexão e trabalho. Essa mudança pode impactar não apenas os serviços já existentes, mas também a vida cotidiana e a economia local.

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