Um novo aplicativo está chamando atenção na loja de aplicativos da China. Seu principal recurso é fazer uma pergunta desconfortável todos os dias: “Você já morreu?”
O aplicativo se chama Sileme (ou 死了吗), que significa “Você já morreu?” em mandarim. Em poucos dias, ele alcançou o topo das listas de aplicativos pagos na China. Os usuários se sentem atraídos pela interface simples, que é um pouco sombria, mas também estranhamente reconfortante.
A ideia é que as pessoas acessem o aplicativo uma vez por dia e toquem em um grande botão verde. Isso confirma que estão vivas. Esse toque avisa aos outros que você ainda está por aqui.
Se a pessoa não tocar no botão por dois dias seguidos, o aplicativo manda um e-mail para o contato de emergência que você escolheu, avisando que é hora de checar se você está bem. Sem drama, sem complicações. É só uma confirmação de existência.
Um dos criadores do app, Guo Mengchu, disse que a motivação foi criar algo mais essencial do que aplicativos sociais ou de entretenimento. Ele se inspirou na pirâmide de necessidades de Maslow, que fala sobre como a segurança é fundamental e afeta muitas pessoas. E a popularidade do Sileme mostra que muitos concordam.
Como é usar um aplicativo de “checar existência” diariamente
Por pura curiosidade e talvez um pouco de reflexão existencial, eu baixei o aplicativo. No Brasil, ele custa apenas R$5 em uma única compra na loja de aplicativos. Não tem mensalidade, nem taxas escondidas. É só aquele pagamento e pronto. O cadastro leva menos de um minuto: você coloca seu nome e o e-mail do contato de emergência. Depois, é só tocar no botão verde todo dia.
A interface é super simples. Tem um fundo sem nada, sem distrações. Apenas o botão para você se identificar e colocar o e-mail do contato. Toque nele, feche o app e siga com sua vida. A simplicidade traz uma sensação estranha de leveza. Lembrar-se todos os dias que estar aqui já é o suficiente é algo surpreendente.
Cada vez mais pessoas optando por viver sozinhas
O sucesso do aplicativo faz sentido se considerarmos como a vida tem mudado. Muitas pessoas estão decidindo morar sozinhas, especialmente na China. Segundo o censo de 2020, 25,4% das casas são de uma única pessoa, um aumento grande em relação a dez anos atrás. Os jovens estão liderando essa mudança, e as empresas chinesas estão cada vez mais criando produtos para atender essa realidade.
Assim, um app que acompanha você de forma discreta e sem ser emocional parece ser exatamente o que a maioria precisa neste momento. E o nome? Direto, um pouco engraçado e até sombrio. Muitas pessoas compartilharam o app apenas pela originalidade do nome.
A reação ao mudar o nome “Você já morreu?”
Por isso, gerou muito barulho quando os desenvolvedores anunciaram a mudança de nome. O time decidiu rebatizar o aplicativo como “Demumu” para o mercado global. Guo explicou que essa nova denominação combina a palavra “morte” com um estilo de nome mais brincalhão, como o do personagem Labubu, que fez sucesso no ano passado. A ideia é tornar a marca mais amigável e internacional.
No entanto, o público não gostou muito disso. No Weibo, o comentário mais curtido sobre o anúncio diz: “Amor, seu nome anterior foi o que fez você bombar.” E, na boa, esse pode ser o feedback de negócios mais real que alguém já recebeu.
O futuro do aplicativo
Por trás das câmeras, a atenção com o aplicativo tem sido enorme. Guo comentou que, desde que o app ficou famoso, mais de 60 investidores entraram em contato, alguns oferecendo milhões por uma parte da empresa.
“Sabíamos que teria alguma repercussão, mas a escala disso superou todas as nossas expectativas,” disse ele.
O time também planeja adicionar recursos de inteligência artificial em breve. Guo descreve a visão a longo prazo como “ter um companheiro de segurança de IA instalado no celular de cada um, que pode ajudar com várias coisas quando necessário”.
De um experimento de R$1.000 a um dos aplicativos mais procurados da China, tudo isso por causa de uma pergunta: Você ainda está aqui?
E por apenas R$5, agora eu tenho um aplicativo que garante que alguém venha me procurar se eu não der sinal de vida por 48 horas.
