Pesquisa Avança na Nutrição: Nanoencapsulação e Saúde Intestinal
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão desenvolvendo uma nova técnica chamada nanoencapsulação, que tem potencial de transformar a maneira como cuidamos da saúde intestinal. Essa técnica visa melhorar a entrega de compostos bioativos, que são substâncias benéficas encontradas em alimentos, ao intestino.
O intestino humano abriga trilhões de microrganismos, essenciais para funções vitais como a digestão, a defesa do organismo e a regulação da inflamação. A saúde dessa comunidade microbiana é fundamental, e os chamados bióticos — que incluem probióticos, prebióticos, simbióticos e pós-bióticos — desempenham um papel importante nesse sentido. No entanto, muitas vezes esses compostos não conseguem chegar ao intestino de forma eficaz, reduzindo seus benefícios.
O estudo, liderado pelo professor João Paulo Fabi e seus colaboradores Pedro Brivaldo Viana da Silva e Thiécla Katiane Osvaldt Rosales, explora a nanoencapsulação como solução. Essa técnica consiste em envolver moléculas bioativas em partículas muito pequenas, criando uma espécie de proteção contra a acidez e as enzimas do sistema digestivo. Isso permite que essas substâncias sejam liberadas exatamente onde são mais necessárias, no intestino.
Os resultados da pesquisa, publicada na revista “Pharmaceutics”, mostram que a nanoencapsulação pode aumentar a estabilidade e a biodisponibilidade de diferentes compostos, como fibras, polifenóis e ácidos graxos. Com isso, eles podem chegar intactos ao intestino grosso, onde podem auxiliar na modulação da microbiota e na redução da inflamação, além de contribuir para a prevenção de doenças como câncer intestinal e problemas metabólicos.
As aplicações da nanoencapsulação vão além dos alimentos. Pesquisadores já estão explorando seu uso para libertar substâncias anti-inflamatórias em situações de colite, estimular a produção de ácidos graxos benéficos e proteger o intestino durante tratamentos com antibióticos.
Embora os achados sejam promissores, os cientistas afirmam que ainda são necessários mais estudos. Esses incluem a padronização de métodos, a avaliação da segurança e a realização de ensaios clínicos mais amplos, antes que a tecnologia chegue ao mercado. Os avanços na pesquisa indicam um futuro em que a nutrição pode se tornar mais personalizada, combinando microbiologia, química e engenharia de alimentos de forma a impactar significativamente a saúde.
Esse trabalho teve o apoio de instituições de fomento à pesquisa, destacando a importância do financiamento público para a ciência de ponta. A pesquisa foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Sistemas Integrados em Alimentos da USP.
