A Vida Sexual na Terceira Idade: Reflexões e Realidades
Aos 87 anos, Arlete Salles se destaca como uma importante figura da teledramaturgia brasileira. Recentemente, ela trouxe à tona um tema que ainda é um tabu: o sexo na terceira idade. A atriz acredita que é fundamental abordar esse assunto de forma aberta.
Em uma entrevista, Arlete mencionou como a ficção pode ajudar a quebrar barreiras e permitir discussões sinceras. Ela se lembrou da sua famosa personagem Copélia, da série “Toma Lá, Dá Cá”, que era reconhecida por sua liberdade sexual. Essa personagem desafiava a ideia de que o desejo desaparece com o envelhecimento.
Miguel Falabella, o criador da personagem, usou humor e cores vibrantes para expor o preconceito que muitos idosos enfrentam ao tentar viver plenamente, seja na sexualidade, no amor ou nas relações românticas. Arlete ressaltou que, por meio de Copélia, o tema foi tratado de forma leve, mas com seriedade.
A Evolução do Desejo
Embora tenha interpretado uma mulher cheia de vida na televisão, Arlete deixa claro que a ficção é diferente da realidade. Em sua trajetória pessoal, mesmo que tenha vivido momentos intensos, ela reconhece que as prioridades mudam com o tempo.
“Eu já fui mais agitada. Sou geminiana, e adoro a vida, mas a gente vai mudando”, comenta. Para ela, envelhecer não significa perder o amor pelas coisas, mas sim ter novas perspectivas sobre o que traz felicidade.
Isso se reflete na experiência de muitas pessoas mais velhas: o desejo não desaparece, mas a maneira de vivê-lo muda. O que antes era urgência física pode se transformar em carinho, amizade e prazer em atividades cotidianas.
“Os gostos mudam. Antes eu era bem animada, mas hoje sou mais tranquila”, brinca a artista, demonstrando como a maturidade traz novas formas de satisfação.
A Busca pela Felicidade
Para Arlete Salles, a maturidade significa encontrar felicidade nas coisas simples da vida. No passado, a paquera e a agitação eram comuns, mas atualmente, sua energia se concentra em trabalho, família e em cuidar da natureza.
Ela revelou que tem prazer em cuidar de seus animais e até alimenta visitantes ilustres, como micos e gambás, que aparecem em sua casa. Essa mudança é reconhecida por especialistas como uma evolução saudável, onde a libido se expande para o autocuidado e conexões emocionais mais profundas.
Combate ao Preconceito
O desabafo de Arlete é um importante passo para combater estigmas sociais. O sexo na terceira idade ainda é visto como algo desnecessário ou até engraçado por muitos. Essa visão pode criar um isolamento emocional para os idosos. Ao afirmar que já foi animada e que agora prefere momentos de tranquilidade, Arlete valida todas as fases da vida.
Ela sugere que, independente da escolha, o fundamental é que a decisão de como viver a sexualidade seja pessoal. A sociedade muitas vezes tenta ignorar as necessidades do corpo idoso, mas a mensagem de Arlete é clara: a vida não acaba aos 60, 70 ou 80 anos; ela encontra novos ritmos.
Outras Vozeres na Luta
Arlete não está sozinha nessa jornada. Uma série de celebridades mais velhas utilizam suas plataformas para mostrar que o desejo não tem prazo de validade. Por exemplo, Susana Vieira é conhecida por suas declarações honestas, afirmando que se sente desejada e recusa o etarismo que tenta colocá-la em uma “caixa” de assexualidade.
Outra figura conhecida é Helô Pinheiro, a eterna Garota de Ipanema, que aos 85 anos fala abertamente sobre a importância de manter a paixão viva no casamento. No cenário internacional, Jane Fonda se mostra como uma defensora da sexualidade na maturidade, afirmando que o sexo na terceira idade pode ser melhor do que na juventude, devido ao autoconhecimento e à falta de pressa.
Esses relatos ajudam o público a perceber que envelhecer pode ser uma oportunidade para a liberdade e novas descobertas íntimas.
Sexo e Saúde na Terceira Idade
Médicos e psicólogos confirmam: sim, é saudável para os idosos manterem uma vida sexual ativa. Essa atividade traz muitos benefícios que vão além do prazer físico. A pesquisa mostra que a atividade sexual libera hormônios como endorfinas e oxitocina, essenciais para reduzir estresse e melhorar o humor.
Além disso, ter relações sexuais ajuda na saúde do coração e estimula a mente, mantendo o cérebro ativo. Para as mulheres, essa atividade pode ajudar na saúde da região íntima mesmo após a menopausa, enquanto os homens podem se beneficiar na saúde da próstata.
O maior benefício, no entanto, pode estar no aspecto emocional: a intimidade fortalece laços afetivos, combate a solidão e eleva a autoestima das pessoas na terceira idade. É importante lembrar que sexo não envolve apenas penetração; toques, beijos e carinhos também são formas essenciais de expressar a sexualidade nesta fase da vida.
Considerações Finais
É evidente que a vida sexual é uma parte importante da vida de muitas pessoas, independentemente da idade. A discussão sobre a sexualidade na terceira idade, trazida por figuras como Arlete Salles e outras celebridades, ajuda a desmistificar estigmas sociais.
Falar abertamente sobre esse assunto pode proporcionar um sentimento de aceitação e liberdade. A ideia de que os desejos e a sexualidade não têm data de validade é um recado importante para a sociedade. O envelhecimento não é o fim do prazer, mas uma nova fase cheia de possibilidades.
