Situação Crítica de Cuba

    Nos últimos dias, a situação econômica de Cuba gerou preocupações, especialmente após declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele afirmou que o regime cubano estaria próximo ao colapso devido à falta de petróleo, que, segundo ele, é vital para a economia da ilha. Afirmou que, se o abastecimento de petróleo da Venezuela cessasse, Cuba não teria mais recursos para se sustentar e acabaria entrando em colapso sem necessidade de intervenção militar.

    As autoridades cubanas condenaram a operação militar dos EUA na Venezuela e afirmaram que estão preparadas para se defender. No entanto, não contestaram as afirmações de Trump sobre a crítica situação econômica do país.

    Economia Cubana em Colapso

    A economia cubana enfrenta dificuldades severas, reconhecidas até mesmo pelo governo. O presidente Miguel Díaz-Canel declarou que a situação é resultado de um “acúmulo de distorções e adversidades”, sem deixar de mencionar a pressão externa severa que o país sofre. Cuba está em recessão há anos e não consegue honrar suas dívidas, gerando escassez de alimentos e produtos essenciais, além de cortes frequentes de energia elétrica.

    Dados recentes mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) da ilha caiu mais de 4%, e o final de 2025 apontava para uma perspectiva ainda pior devido a crises energéticas e desastres naturais. Sem informações oficiais disponíveis, estima-se que cerca de 89% das famílias cubanas vivem em extrema pobreza, com renda inferior a um dólar por dia.

    Desafios na Indústria e Agricultura

    O cenário é preocupante: a produção industrial chegou ao seu nível mais baixo em quatro décadas, e a agricultura sofre com a falta de insumos e combustível. O turismo, uma fonte significativa de divisas, também caiu drasticamente, com menos de dois milhões de visitantes em 2025, o número mais baixo em mais de 20 anos.

    Além disso, a inflação se tornou um problema crônico, com os preços subindo 14,75% em um ano até junho de 2025. Esse panorama é ainda mais severo devido ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos desde 1960, que foi intensificado durante o governo Trump.

    Crise Energética

    A crise energética é um dos aspectos mais críticos que o país enfrenta. A falta de combustível para as plantas de geração elétrica resultou em cortes de eletricidade de até 20 horas por dia em algumas regiões. Cuba precisa de 110 mil barris de petróleo diariamente, mas sua produção é de apenas 40 mil, tornando o país extremamente dependente de importações, sendo a Venezuela e o México seus principais fornecedores.

    Nos anos 2000, a Venezuela fornecia cerca de 100 mil barris diários a Cuba, mas esse número caiu drasticamente para menos de 30 mil barris em 2025. As relações comerciais limitadas entre os dois países dificultam a recuperação cubana.

    Dependência do Petróleo Venezuelano e Mexicano

    Cuba troca serviços, como médicos e professores, por petróleo venezuelano, mas sem um investimento significativo que possa reverter a situação. Recentemente, também se observou um aumento nas importações de petróleo do México, mas surgem dúvidas sobre como Cuba está financiando essas compras, dado o profundo endividamento do país.

    A presidente do México, Claudia Sheinbaum, mencionou que o petróleo é enviado como parte de “contratos” e como “ajuda humanitária”, mas isso não esclarece como Cuba pode arcar com esses pagamentos.

    Futuro Incerto

    Com tudo isso, a expectativa para 2026 é incerta. O governo cubano projeta um leve crescimento econômico, mas muitos especialistas duvidam que essa meta seja alcançada. Caso o fornecimento de petróleo seja cortado, a ilha poderá enfrentar uma situação limite, principalmente em um contexto de apagões já frequentes e falta de produtos essenciais.

    Estima-se que cerca de 2,7 milhões de cubanos deixaram a ilha desde a pandemia, resultando em uma significativa perda populacional e na saída de jovens qualificados, o que prejudica ainda mais a economia.

    O quadro atual sugere que Cuba pode enfrentar um aprofundamento da crise, sem uma resposta clara de como sair dessa rodada de dificuldades econômicas e sociais. A falta de transparência sobre os contratos de petróleo e as relações comerciais somente adiciona incertezas ao futuro do país.

    Share.