O consumo de açúcar tem sido amplamente debatido na área da saúde, devido aos riscos associados ao seu excesso, como cáries, obesidade e problemas cardiovasculares, além de possíveis relações com depressão e ansiedade. Contudo, especialistas ressaltam que não é necessário eliminar completamente o açúcar da dieta, exceto em casos como o diabetes. Em um contexto equilibrado e saudável, quantidades moderadas de açúcar podem até trazer benefícios.
Um estudo recente publicado em um periódico de nutrição sugere que o consumo moderado de açúcar pode ter efeitos positivos na saúde mental, especialmente em pessoas com sobrepeso. No entanto, o consumo excessivo pode prejudicar a função cerebral, conforme apontam os pesquisadores. Os dados utilizados na pesquisa foram coletados de quase 170 mil adultos participantes do UK Biobank, um amplo levantamento de saúde realizado no Reino Unido.
A nutricionista Lara Natacci, que estudou a relação entre alimentação e saúde mental, destaca que o estudo reforça a importância do equilíbrio alimentar, evitando extremos na dieta. Apesar de contar com um grande número de participantes e dados significativos, o estudo é observacional e, portanto, não pode afirmar causa e efeito de maneira definitiva. A nutricionista Bruna Aparecida Farias, também envolvida no tema, aponta que os próprios participantes responderam a questionários, o que pode interferir na precisão dos resultados.
A pesquisa sugere que o açúcar pode ativar áreas do cérebro que alíviam o estresse, já que a glicose, um tipo de açúcar, é a principal fonte de energia do cérebro. A falta desse nutriente pode levar a irritabilidade e cansaço. Por outro lado, o consumo excessivo de açúcar está ligado ao aumento de inflamações no corpo e ao estresse oxidativo, fatores que podem prejudicar os neurônios e aumentar a vulnerabilidade a problemas mentais.
Além disso, dietas ricas em açúcar podem desestabilizar a microbiota intestinal, que tem um papel importante na regulação do humor. Para manter a saúde mental, especialistas recomendam uma dieta rica em alimentos que contenham nutrientes benéficos, como frutas, vegetais, castanhas, peixes e grãos integrais, semelhante à dieta mediterrânea.
Culturalmente, muitas pessoas no país consomem açúcar em excesso. Historicamente, isso pode estar relacionado à abundância de cana-de-açúcar durante o período colonial e às influências da culinária portuguesa. Dados indicam que o brasileiro consome cerca de 80 gramas de açúcar por dia, o que está acima da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A OMS sugere que o consumo não ultrapasse 10% das calorias diárias, o que, em uma dieta de 2.000 calorias, seria no máximo 50 gramas, inclusive de açúcar de mesa.
Para reduzir a ingestão de açúcar, é recomendável diminuir a quantidade usada em receitas, substituindo por especiarias como canela e cravo. Reeducar o paladar, como tomar bebidas sem açúcar, também pode ajudar. Além disso, a atenção aos rótulos dos produtos industrializados, agora mais facilitada pela legislação que exige avisos sobre quantidade de açúcar, é uma estratégia útil.
Existem diferentes tipos de açúcar presentes em diversos alimentos. A sacarose, por exemplo, é o açúcar mais comum, encontrado em formas como o refinado e o mascavo. A frutose está presente nas frutas, enquanto a lactose é o açúcar do leite. Já a glicose, que também é utilizada na culinária, possui uma consistência semelhante ao mel.
Em resumo, a discussão sobre o açúcar é complexa. A moderação e a consciência sobre a qualidade da dieta são fundamentais para a saúde física e mental.
