O Caso de Sylvia Likens: Uma Tragédia Inaceitável
Em 1965, Sylvia Likens, uma adolescente de 16 anos, foi deixada na casa de uma amiga da família, Gertrude Baniszewski, enquanto seus pais estavam viajando. Infelizmente, Sylvia nunca voltou para casa. Dentro daquela residência, Gertrude e seus filhos cometeram atos de crueldade que levaram Sylvia à morte. Em um caso que chocou todo o país, a brutalidade foi tamanha que até crianças vizinhas se envolveram na tortura.
Os resultados da autópsia mostraram que Sylvia sofreu humilhações e torturas inimagináveis antes de perecer. Contudo, seus carrascos quase não enfrentaram punições significativas.
A Chegada de Sylvia e Jenny na Casa de Gertrude
Sylvia e sua irmã Jenny foram criadas por pais que trabalhavam em feiras. Eles enfrentavam dificuldades financeiras, e, para ajudar, Sylvia e Jenny foram deixadas sob os cuidados de Gertrude, uma mulher também muito pobre e com sete filhos. Gertrude, que já tinha passado por múltiplos divórcios e lutava contra a depressão, não estava em condições de cuidar de duas jovens. Mesmo assim, a família Likens não tinha outras opções.
O pai de Sylvia, Lester, pagou a Gertrude 20 dólares por semana e, de forma misteriosa, pediu que ela “corrigisse” suas filhas. No início, tudo parecia normal, mas a situação logo se deteriorou.
A Transição para a Tortura
Nos primeiros dias, Sylvia e Jenny foram tratadas relativamente bem. Porém, assim que um pagamento de Lester atrasou, Gertrude se voltou contra as meninas. Ela enfrentou as garotas, chamando-as de nomes e agredindo Sylvia em particular. O abuso começou e não parou mais.
Gertrude usava um pedaço de madeira e um cinto pesado para punir as meninas. Quando estava muito cansada, sua filha mais velha, Paula, assumia o papel de agressora. As agressões contra Sylvia se intensificaram, e Gertrude começou a fazer a irmã, Jenny, participar das violências, ameaçando-a caso não o fizesse.
Sylvia foi acusada de roubo, e Gertrude a queimou. Em um evento na igreja, Gertrude obrigou-a a comer hot dogs até vomitar, e como punição, forçou-a a comer seu próprio vômito. Os filhos de Gertrude foram incentivados a se juntar ao abuso, praticando karate nela e infligindo ferimentos.
A Participação da Comunidade
Gertrude espalhou boatos sobre Sylvia, convencendo crianças do bairro a participarem das agressões. Ela dizia que Sylvia era uma prostituta e incentivava os filhos e seus amigos a agredi-la. Uma dessas crianças, Anna Siscoe, se lembrou de como Gertrude a convidava para a violência.
Houve tentativas de intervenção. A irmã de Sylvia, Diana, e um vizinho tentaram ajudar, mas Gertrude a impediu de qualquer ajuda. Assim, a brutalidade continuava, enquanto as pessoas ao redor ignoravam os sinais de abuso por medo.
A Morte Brutal de Sylvia Likens
Três dias antes de sua morte, Sylvia deu sinais claros de que não aguentaria mais. Gertrude fez com que ela escrevesse uma carta, alegando que tinha fugido e se machucado. A situação se tornou insustentável. Em um último e desesperado ato, Sylvia tentou escapar, mas foi capturada novamente.
Gertrude e um rapaz vizinho a agrediram ainda mais. A 26 de outubro de 1965, Sylvia morreu devido a uma hemorragia cerebral e desnutrição. O desfecho deste horror foi marcado pela ocultação da verdade por parte de Gertrude. Em vez de assumir a responsabilidade, ela mentiu para a polícia sobre a forma como a garota havia morrido.
Justiça ou Impunidade?
Quando a polícia chegou, Gertrude manteve sua versão de que Sylvia tinha estado com rapazes e estava envolvida em atividades extravasculares. Porém, Jenny, finalmente, conseguiu contar a verdade. Graças ao seu testemunho, Gertrude e sua família foram presos, assim como alguns vizinhos que participaram da tortura.
Durante o julgamento, Gertrude se declarou inocente por loucura. Apesar das evidências, muitos dos que participaram do crime não foram levados a sério.
Em 19 de maio de 1966, Gertrude foi condenada por homicídio em primeiro grau e recebeu uma pena de prisão perpétua. Paula, sua filha, foi condenada por homicídio culposo, enquanto os outros envolvidos receberam penas mais brandas devido à menoridade.
Fuga da Justiça e Consequências
Gertrude cumpriu 20 anos de prisão, mas muitos questionaram a eficácia da Justiça, já que não houve um castigo justo para todos os envolvidos. Em 1971, ela e Paula foram retrials, e Gertrude foi novamente condenada.
Paula conseguiu escapar da prisão, mas foi recapturada. Eventualmente, ela mudou seu nome e teve uma nova vida como auxiliar de professor. Em 2012, ela foi suspensa do trabalho quando sua história veio à tona.
Gertrude foi liberada em 1985, mesmo com protestos da comunidade. Sua morte em 1990 trouxe um alívio para Jenny, que nunca culpou seus pais pela tragédia. Ela sempre acreditou que a confiança depositada em Gertrude foi a grande responsável por tudo.
Reflexão Final
O caso de Sylvia Likens é uma triste lembrança de que a violência pode se esconder em hospitaleiras aparências. A história dela nos ensina que é importante estar atento ao que ocorre ao nosso redor e agir sempre que presenciarmos situações de abuso.
Embora a Justiça tenha falhado de muitas maneiras, é essencial lembrarmos de Sylvia, não só como uma vítima, mas como um marco na luta por justiça e proteção às crianças.
