Muitos tenistas sonham em competir em um Grand Slam, pois avançar nesse torneio significa ganhar prêmios muito superiores ao que costumam receber durante a carreira. No entanto, dos 128 jogadores que entram em quadra no início de um torneio desse porte, metade acaba sendo eliminada logo no primeiro jogo. Chegar às fases finais, portanto, é um desafio enorme. O Australian Open, que começou no último sábado, tem sido marcado por surpresas em suas edições passadas.
Um exemplo notável ocorreu em 2021, quando o russo Aslan Karatsev, que então ocupava a 114ª posição no ranking, conseguiu uma trajetória impressionante. Ele se tornou o primeiro jogador que se classificou para o torneio, conhecido como “qualifier”, a chegar à semifinal nos últimos 20 anos. Seu caminho foi interrompido apenas por Novak Djokovic, o tenista com o maior número de títulos em Melbourne.
Durante sua participação no Australian Open de 2021, Karatsev venceu oito partidas, incluindo três nas eliminatórias, e acabou terminando a competição com um prêmio de pouco mais de R$ 3,05 milhões. Esse valor foi o maior que ele havia ganhado em qualquer torneio até aquele momento, e sua performance o elevou para a 45ª posição no ranking mundial.
Desde aquele torneio, Karatsev teve um bom desempenho, conquistando títulos em Dubai e Moscou no mesmo ano, alcançando seu melhor ranking em 14º lugar em 2022. No entanto, atualmente, com 32 anos, ele ocupa a 672ª posição no ranking.
O Australian Open também foi o palco de finais memoráveis para tenistas que se destacaram em suas carreiras, mas que nunca conseguiram vencer um título de Grand Slam. Entre eles, estão os chilenos Marcelo Ríos e Fernando Gonzalez, o francês Arnaud Clement, o holandês Rainer Schuettler, o cipriota Marcos Baghdatis e o francês Jo-Wilfried Tsonga, todos ficando a um passo da maior conquista.
Marcelo Ríos, que chegou à final em 1998, foi o único tenista chileno a alcançar o primeiro lugar no ranking mundial. Embora tenha liderado a lista apenas por seis semanas, ele continua sendo um ícone no tênis, mesmo não tendo conquistado um Slam. Sua melhor oportunidade foi justamente em Melbourne, quando perdeu para o tcheco Petr Korda há 28 anos.
Ríos, que se aposentou com um histórico de 31 finais em sua carreira – das quais perdeu 13 – deixou uma marca também ao ser o primeiro sul-americano a alcançar o topo do ranking, um feito que Guga Kuerten iria repetir mais tarde. Entre suas derrotas notáveis, uma aconteceu contra Fernando Meligeni nos Jogos Pan-Americanos de 2003, que foi o último ato da carreira desse ex-tenista brasileiro.
No Australian Open, a emoção e as surpresas são comuns, e a história mostra que mesmo aqueles que não são muito conhecidos podem deixar suas marcas em grandes torneios.
