Em maio de 2012, a produtora de games Rockstar lançou Max Payne 3, ambientado em São Paulo, onde o famoso detetive noir assume o papel de segurança de milionários. O jogo vendeu 4 milhões de cópias e obteve uma avaliação média de 86 em 100 no Metacritic. Sua recepção, no entanto, foi polarizada: muitos elogiaram sua mecânica de tiro inovadora, enquanto outros criticaram a dificuldade e as cenas cortadas que paravam a ação.

    A São Paulo de Max Payne 3

    Os remakes de Max Payne 1 e 2 estão confirmados, com lançamento previsto para coincidir com o 25º aniversário da franquia. Max Payne 3 é notável por ser o único título da Rockstar ambientado no Brasil e também o único da série desenvolvido sem a participação da Remedy Entertainment.

    A Rockstar assumiu todo o desenvolvimento do jogo, fazendo algumas consultas com os criadores originais, mas seguindo sua própria direção. Para estabelecer a conexão entre Max Payne 2 e Max Payne 3, foi lançada uma série de quadrinhos que detalharam a transição de Max de Nova Jersey para São Paulo. Sam Lake, o escritor dos dois primeiros jogos, comentou que tentar replicar o estilo de seus antecessores seria um erro, mas reconheceu o trabalho notável de Dan Houser, um dos principais roteiristas da Rockstar, em manter a essência do personagem.

    Além disso, a Remedy fez uma homenagem ao legado de Max fazendo referências a ele dentro de seu jogo Alan Wake, o que demonstra a importância do personagem na indústria.

    A Escolha de São Paulo: Um Contexto Contrastante

    Entre 2009 e 2011, equipes da Rockstar visitaram São Paulo diversas vezes, coletando imagens de áreas ricas e de favelas para criar um ambiente que contrastasse com os jogos anteriores, que se passavam em uma Nova York sombria. A intenção era apresentar São Paulo como uma cidade quente, caótica e repleta de desigualdades. No entanto, a representação da cidade gerou críticas, já que alguns elementos arquitetônicos e culturais retratados misturam características de São Paulo com referências do Rio de Janeiro. Por exemplo, a favela fictícia Nova Esperança assemelha-se mais ao Complexo do Alemão do Rio do que a qualquer comunidade paulistana.

    O estádio de futebol do jogo, denominado “Galatians FC”, foi inspirado no Estádio do Morumbi, que é a casa do São Paulo Futebol Clube. Essa escolha faz sentido, pois o Morumbi está localizado mais próximo das áreas nobres de São Paulo.

    O Impacto das Balas e a Revolução no Gunplay

    Max Payne 3 foi amplamente elogiado por sua mecânica de tiro, recebendo notas que variam entre 7 e 10. Especialistas destacaram que o jogo estabeleceu um novo padrão para o gênero. A Rockstar implementou uma filosofia de design em que cada arma representa a personalidade de Max, tornando-se uma extensão do personagem. O diretor de arte buscou criar um “shooter” que combinasse a precisão e fluidez dos jogos em primeira pessoa com a dinâmica em terceira pessoa. O som e a resposta visual aos disparos foram minuciosamente trabalhados, proporcionando uma experiência tátil única.

    Um dos avanços mais significativos foi a destruição dos cenários, onde a demolição de paredes e a interação com os ambientes foram incorporadas de forma realista. O sistema de bullet time, famoso na franquia, foi aprimorado para recompensar jogadores habilidosos com maior controle durante os tiroteios.

    A Narrativa: Um Caminho Dividido

    A narrativa de Max Payne 3 gerou opiniões divergentes entre críticos e fãs. O roteiro, adaptado por Dan Houser, mostra Max como um homem atormentado pela vida nas favelas e pela elite corrupta. Isso contrasta com o tom poético dos jogos anteriores, utilizando São Paulo como um cenário que reflete questionamentos sociais.

    James McCaffrey, a voz original de Max, retornou ao papel, garantindo a continuidade da identidade do personagem, embora a mudança no estilo narrativo tenha causado estranheza a alguns fãs.

    Críticas e Polêmicas

    As críticas mais comuns direcionadas a Max Payne 3 incluem a dificuldade desbalanceada, as cutscenes excessivas e a má colocação de checkpoints. Jogadores enfrentaram frustração com o sistema de “shoot dodge”, que produziu uma vulnerabilidade excessiva durante os confrontos. Além disso, as interrupções constantes por cenas não puláveis, muitas vezes desnecessárias, e o posicionamento inadequado dos pontos de controle contribuíram para uma experiência de jogo menos satisfatória.

    Uma questão que persiste entre os brasileiros é a qualidade da dublagem. Por um lado, o jogo contratou uma mistura de atores brasileiros e portugueses, mas o sotaque não autêntico de alguns personagens gerou polêmica. A inconsistência no uso da língua prejudicou a imersão, especialmente na representação de personagens cruciais que não soavam naturais.

    O Legado de Max Payne 3

    O jogo conseguiu vender 3 milhões de cópias no seu lançamento inicial e alcançou 4 milhões no ano seguinte. Apesar das vendas, a Take-Two, empresa responsável pela Rockstar, considerou o resultado abaixo do esperado. Contudo, a relevância de Max Payne 3 vai além das vendas: ele provou que jogos com narrativas complexas podem ter sucesso em cenários brasileiros e estabeleceu um novo padrão para mecânicas de tiro.

    Com o lançamento dos remakes de Max Payne 1 e 2 se aproximando, muitos ainda relembram a experiência marcante que foi Max Payne 3. Você jogou este título? O que pensa sobre ele? Compartilhe suas opiniões.

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