A saúde mental tornou-se um tema central nas conversas sobre o trabalho nos últimos tempos. Atualmente, o Brasil se destaca como o país com a maior taxa de ansiedade do mundo e ocupa o segundo lugar em esgotamento mental. Esse problema se reflete no ambiente corporativo, onde as empresas enfrentam um aumento nos custos de planos de saúde e um número crescente de funcionários que pedem demissão.
Raphael Rezende, executivo de Recursos Humanos e especialista no tema, afirmou durante sua participação no XVIII CONPARH, um evento promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos do Paraná, que essa situação crítica se manifesta em formas difíceis de identificar, como colaboradores presentes, mas com baixa produtividade, equipes desmotivadas e falta de inovações. Para Rezende, essa questão não é apenas individual, mas requer uma abordagem organizacional.
Ele destacou que, quando as equipes param de sugerir ideias e dedicam seu tempo apenas a tarefas repetitivas, é um sinal claro de que o ambiente de trabalho precisa ser revisto. A promoção de um espaço saudável e sustentável é essencial para estimular a criatividade e o comprometimento das equipes.
A Importância da Confiança
O diálogo sobre saúde mental nas empresas também está intrinsecamente ligado à construção de um ambiente de confiança. A segurança psicológica no trabalho é fundamental, e isso se cria por meio da escuta ativa. Quando os colaboradores sentem que podem expressar opiniões, sugestões e críticas sem medo de represálias, sentem-se parte importante da equipe.
Segundo Rezende, esse ciclo positivo se retroalimenta: ouvir gera melhorias, que por sua vez, fortalecem a confiança e promovem mais diálogo. Neste contexto, o engajamento das equipes não depende de fórmulas fixas, mas da consistência nas práticas diárias.
Se os líderes conseguirem cultivar essa confiança, seguramente verão suas equipes se tornando mais ativas, sugerindo ideias e demonstrando comprometimento com os projetos. A sensação de pertencimento leva os colaboradores a se envolverem mais nas decisões e no desenvolvimento das estratégias da empresa.
Desafios das Novas Gerações e a Tecnologia
Além da crise na saúde mental, a pressão por ambientes de trabalho mais saudáveis é amplificada por novas gerações de profissionais. Para esses jovens, critérios como equilíbrio entre vida pessoal e profissional, propósito e inclusão são fundamentais na hora de escolher um emprego. Ignorar essa mudança pode resultar em perda de talentos e relevância no mercado.
Outro desafio enfrentado pelas empresas é a rápida adoção de novas tecnologias, especialmente a inteligência artificial. Rezende observa que é imprescindível integrar a tecnologia ao trabalho cotidiano, mas essa integração não pode ser feita à custa da saúde mental dos funcionários. Ter ferramentas avançadas é inútil se os colaboradores não se sentirem seguros ao utilizá-las.
É necessário repensar os modelos de produtividade que se baseiam apenas em horas trabalhadas. A adoção de abordagens baseadas em projetos, a promoção da diversidade e a criação de espaços para escuta são algumas estratégias essenciais. Além disso, as empresas devem revisar seus pacotes de benefícios para incluir serviços que atendam à saúde mental, gerando uma conexão direta com o bem-estar dos colaboradores.
Em um mercado em transformação, Rezende ressalta que as empresas enfrentam um dilema. Muitas ainda operam de uma maneira que não confia plenamente em seus colaboradores, enquanto muitos empregados aguardam orientações em vez de assumir papéis proativos. Para um futuro mais sustentável, é fundamental que tanto empregadores quanto empregados se comprometam a construir um ambiente de trabalho mais saudável e responsável.
