A Alemanha e a França afirmaram, nesta segunda-feira, que não se deixarão intimidar pelas ameaças de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos europeus. A declaração foi feita em Berlim, em resposta ao aumento das tensões comerciais entre Washington e seus aliados na Europa.

    Os ministros de Finanças da Alemanha e da França reagiram após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar planos para aumentar tarifas sobre importações europeias até que os EUA consigam adquirir a Groenlândia, uma ilha no Ártico de grande importância estratégica.

    O ministro alemão, Lars Klingbeil, destacou que a parceria entre a Alemanha e a França não aceita esse tipo de chantagem, especialmente entre países que têm uma longa história de aliança. O ministro francês, Emmanuel Lescure, também apontou que as relações transatlânticas precisam ser mantidas em um nível de diálogo, sem recorrer a ameaças.

    Como resposta, os dois países estão considerando um plano que inclui a possibilidade de impor tarifas sobre cerca de 93 bilhões de euros em importações dos Estados Unidos. Essa medida poderia ser implementada após um período de suspensão de seis meses, com início previsto para 6 de fevereiro.

    Outra opção em discussão é o chamado Instrumento de Anticoação, que ainda não foi utilizado. Esse mecanismo pode restringir o acesso de empresas americanas a licitações públicas, investimentos, serviços financeiros e comércio, áreas em que a União Europeia apresenta superávit em relação aos Estados Unidos.

    Lescure mencionou que esse instrumento pode servir como um meio de dissuasão, com o objetivo de preservar a cooperação entre as partes. Ele também reiterou a importância de manter aberto o canal de negociação.

    Klingbeil acrescentou que a Alemanha não está buscando uma escalada nas tensões, já que isso poderia impactar negativamente as economias de ambos os lados do Atlântico. Os ministros estão participando de discussões com outros aliados para se prepararem para uma próxima reunião de cúpula.

    Fontes próximas ao processo de negociação informam que a União Europeia teme possíveis danos econômicos, caso as tensões se intensifiquem, mas mantém a intenção de agir de forma coordenada. Há expectativa de que um consenso seja alcançado antes do encontro marcado para quinta-feira em Bruxelas.

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