Pedido de impeachment contra a governadora Raquel Lyra movimenta o cenário político em Pernambuco
Na última quarta-feira, 19 de janeiro, o deputado Romero Albuquerque (UB) apresentou um pedido de impeachment contra a governadora Raquel Lyra (PSD) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Essa ação é significativa no cenário eleitoral atual, apesar de a governadora ter a maioria dos deputados como aliados, o que dificulta a aprovação do impeachment.
Para que uma proposta de impeachment seja aprovada, é necessário o apoio de dois terços dos deputados, totalizando 33 votos. Atualmente, a oposição não alcança esse número, mesmo com alegações de irregularidades relacionadas à empresa Logo Caruaruense, que é de propriedade do pai de Raquel, o ex-governador João Lyra Neto. Desde que Raquel assumiu o governo há três anos, essa empresa tem sido alvo de críticas por operar de maneira irregular.
O pedido de impeachment gera um desgaste político para a governadora, uma vez que o caso da Logo Caruaruense se torna um ponto focal nas discussões públicas, afetando a imagem da gestão. No entanto, a formalização desse pedido também aumenta a pressão sobre os deputados da base governista, que precisam reafirmar seu apoio a Raquel em um momento delicado, especialmente com as eleições se aproximando.
O clima na Alepe, entre governo e oposição, não é simples. A líder da bancada governista, Socorro Pimentel (UB), comentou que o pedido poderia ser uma manobra dos aliados do prefeito do Recife, João Campos, para desviar a atenção de um recente escândalo envolvendo um concurso público na cidade. No entanto, independente da motivação, o ato de Romero Albuquerque pode causar problemas adicionais para Raquel.
O pedido de impeachment será examinado pelo presidente da Alepe, Rodrigo Farias (PSB), que já anunciou que a análise começará em 2 de fevereiro, quando o trabalho legislativo será retomado. Para respeitar o regimento interno, Farias poderá optar por arquivar, rejeitar ou encaminhar o pedido para a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ), que poderá convocar a governadora a se defender. A partir daí, a CCLJ elaborará um parecer que, se aprovado pelo plenário, dará início ao processo de impeachment.
A situação atual reforça a necessidade da governadora intensificar suas articulações políticas para manter seus apoiadores unidos. O ambiente cada vez mais acirrado entre as legendas parece indicar que os próximos meses, até as eleições de outubro, serão intensos e repletos de confrontos.
Além disso, a relação entre o governo e a Assembleia Legislativa é complexa e demanda cautela. O líder da oposição, Sileno Guedes (PSB), também solicitou a demissão do presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), em resposta ao escândalo da Logo Caruaruense, evidenciando a pressão sobre a gestão de Raquel.
Enquanto os embates na Alepe se intensificam, a política pernambucana parece estar em um momento de alta tensão, prenunciando uma disputa acirrada nas eleições que se aproximam. Com a oposição buscando capitalizar sobre a situação e o governo se defendendo, os desdobramentos continuarão a se desdobrar nos próximos dias.
