No último domingo, 18 de janeiro, Botucatu, interior de São Paulo, foi palco do lançamento de uma vacina inédita e 100% brasileira contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O evento contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do secretário de Estado da Saúde, Eleuses Paiva, além de outras autoridades.

    Esse lançamento representa um passo importante na luta contra a dengue e faz parte de uma estratégia piloto do Ministério da Saúde. Botucatu é a terceira cidade a participar desse projeto, ao lado de Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais. O objetivo é avaliar como a vacinação impacta na transmissão da doença e coletar dados que possam ajudar na expansão da vacinação para todo o país.

    A secretária municipal da Saúde de Marília, Dra. Paloma Libanio, destacou a importância do momento. Ela afirmou que estamos vivendo “um capítulo histórico da saúde pública brasileira”. Durante o lançamento, ela ressaltou a relevância do Sistema Único de Saúde (SUS) e como a nova vacina, aplicada na população pelo SUS, representa um avanço da ciência brasileira na proteção da saúde.

    O ministro Alexandre Padilha também se pronunciou sobre a iniciativa. Ele anunciou que, neste fim de semana, as cidades participantes começaram a convocar a população entre 15 e 59 anos para receber a vacina nas unidades de saúde. Padilha explicou que, se a cobertura vacinal alcançar entre 40% e 50%, a vacina poderá ter um impacto considerável no controle da dengue nas cidades.

    Nesta fase inicial, serão distribuídas 204,1 mil doses da vacina entre os três municípios: 80 mil para Botucatu, 60,1 mil para Maranguape e 64 mil para Nova Lima. Essas doses fazem parte de um total de 1,3 milhão que o Instituto Butantan produziu. O desenvolvimento da vacina foi apoiado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

    Além da nova vacina, a imunização contra a dengue ainda conta com uma vacina japonesa voltada para o público de 10 a 14 anos, que requer duas doses. Esta vacina já está disponível em todo o país.

    A vacina do Butantan será destinada a pessoas de 15 a 59 anos, conforme regulamentação da Anvisa. A ampliação da vacinação também inclui profissionais da saúde. Espera-se que, em fevereiro, cerca de 1,1 milhão de doses sejam destinadas a médicos, enfermeiros e agentes comunitários que estão na linha de frente do SUS.

    A estratégia nacional para vacinação do público geral será implementada conforme a disponibilidade das doses. A parceria entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines promete ampliar gradualmente a vacinação, começando pelos maiores de 59 anos e abrangendo até o público de 15 anos. A expectativa é que a produção aumente em até 30 vezes.

    A imunização representa um importante avanço na saúde pública, com a esperança de controlar a dengue e proteger a população.

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