A degeneração macular relacionada à idade, ou DMRI, é uma das principais causas de perda de visão em pessoas com mais de 60 anos. Essa condição afeta a mácula, a parte central da retina, responsável pela visão nítida. Isso pode prejudicar atividades do dia a dia, como ler e reconhecer rostos.

    Mesmo sem cura definitiva, os tratamentos para a DMRI têm avançado muito. Nos últimos anos, novas abordagens estão sendo testadas e aprovadas, trazendo resultados mais efetivos e menos desconforto. Vamos falar aqui das novidades no tratamento da DMRI que já estão disponíveis em 2026 e também das que podem chegar em breve aos consultórios.

    O que há de novo no tratamento da DMRI?

    Tradicionalmente, o tratamento da DMRI varia conforme o tipo da doença, que pode ser seca ou úmida. Até pouco tempo, os tratamentos eram limitados a injeções mensais e suplementos. Agora, com a biotecnologia, novas opções estão surgindo, protegendo melhor a mácula e até permitindo a possibilidade de reverter parte da perda de visão.

    Os principais avanços incluem:

    • Medicamentos de ação prolongada
    • Terapia genética
    • Transplante de células da retina
    • Implantes retinianos eletrônicos
    • Modulação da resposta inflamatória
    • Novas combinações de tratamento em uma única aplicação

    DMRI seca: mudanças no tratamento da forma mais comum

    A DMRI seca é a mais comum, afetando cerca de 85% dos casos. Até recentemente, não havia tratamento farmacológico aprovado para essa forma. O controle dependia de alimentação e estilo de vida.

    Desde 2023, surgiram terapias inovadoras para tratar a atrofia geográfica, uma fase avançada da DMRI seca.

    Pegcetacoplan

    Esse é o primeiro medicamento aprovado para atrofia geográfica. Ele atua inibindo uma via inflamatória que contribui para a degeneração das células da retina, sendo aplicado através de injeções mensais. Ele demonstrou retardar a progressão da atrofia.

    Avacincaptad pegol

    Mais um inibidor do sistema complemento, esse foca na proteína C5. Ele teve resultados positivos em estudos clínicos de fase 3, mostrando que pode desacelerar a perda da visão central.

    Suplementação com nutrientes

    Estão sendo desenvolvidas novas fórmulas de suplementos, baseadas nas diretrizes AREDS2. Esses suplementos contêm luteína, zeaxantina, vitamina C, E, zinco e cobre, sendo uma boa opção para pacientes nos estágios iniciais da DMRI seca.

    DMRI úmida: novas opções de tratamento eficazes

    A DMRI úmida, embora menos comum, é mais agressiva. Ela envolve o crescimento anormal de vasos sanguíneos sob a retina, levando a sangramentos e perda rápida da visão central.

    O tratamento padrão antes incluía injeções mensais de medicamentos antiangiogênicos. Em 2026, isso já começou a mudar com a chegada de novas terapias mais duradouras.

    Faricimabe

    Esse medicamento combina ação antiangiogênica com modulação da inflamação. Ele é tão eficaz quanto os tratamentos tradicionais, mas permite aplicações com intervalos de até 16 semanas, diminuindo a frequência das injeções.

    Aflibercepte 8 mg

    Versão aprimorada do aflibercepte original, este medicamento agora é aprovado para aplicação a cada 12 a 16 semanas, mantendo a eficácia no controle da neovascularização da retina.

    Implante de ranibizumabe (Port Delivery System)

    Esse sistema consiste em um pequeno reservatório inserido cirurgicamente no olho, que libera o medicamento ao longo de vários meses. Com isso, reduz a necessidade de injeções frequentes.

    Terapias combinadas

    Centros de pesquisa estão testando a combinação de antiangiogênicos com anti-inflamatórios ou antioxidantes em uma única aplicação, visando tratar a causa da doença de forma mais abrangente.

    Terapias promissoras em fase experimental

    A área da medicina ocular está cheia de novidades. Entre as pesquisas mais avançadas para a DMRI, destacam-se as terapias celulares, tratamentos genéticos e implantes eletrônicos.

    Terapia com células-tronco

    Nesta abordagem, células da retina são cultivadas em laboratório para substituir as danificadas. Os enxertos são aplicados diretamente na mácula por meio de cirurgia minimamente invasiva, já mostrando melhorias em casos de testes clínicos.

    Edição genética com CRISPR

    Esse método tem o potencial de corrigir mutações hereditárias relacionadas à degeneração da retina. Os testes com essa tecnologia estão ainda nas primeiras fases, mas já mostram resultados animadores em casos de DMRI seca.

    Implantes retinianos eletrônicos

    Pesquisadores estão desenvolvendo chips eletrônicos que são implantados na retina. Eles conseguem capturar sinais luminosos e enviar para o cérebro. Embora ainda estejam em testes, alguns pacientes com perda visual severa já mostraram respostas positivas.

    Tecnologias de apoio para monitorar a doença

    Além dos novos tratamentos, a forma de acompanhar a DMRI também está avançando. Equipamentos modernos e aplicativos ajudam médicos e pacientes a monitorar a progressão da doença de forma mais eficiente.

    OCT de alta resolução

    A tomografia de coerência óptica com qualidade 3D permite visualizar a mácula em detalhes, identificando alterações antes que os sintomas apareçam.

    Inteligência artificial nos exames de retina

    Sistemas de inteligência artificial estão sendo usados para detectar sinais precoces da DMRI. Essa tecnologia pode aumentar a precisão dos diagnósticos.

    Aplicativos de autoverificação

    Apps que permitem o monitoramento diário da visão central, como o Amsler Grid digital, ajudam os pacientes a identificar distorções ou manchas novas.

    O impacto do estilo de vida no tratamento

    O estilo de vida é crucial para o sucesso dos tratamentos disponíveis. Pacientes que mantêm uma alimentação equilibrada, não fumam e controlam doenças como diabetes e hipertensão têm melhores resultados.

    Alimentos que fortalecem a mácula:

    • Espinafre, couve e rúcula
    • Cenoura, abóbora e batata-doce
    • Peixes como salmão e sardinha
    • Ovos e frutas cítricas
    • Sementes e oleaginosas

    Hábitos que ajudam a reduzir a progressão da DMRI:

    • Evitar exposição ao sol sem proteção ocular
    • Usar óculos com filtro UV
    • Parar de fumar
    • Controlar doenças cardiovasculares
    • Fazer exames oftalmológicos regularmente

    Conclusão

    A degeneração macular, que antes não oferecia muitas opções de tratamento, agora é o foco de muitos avanços científicos. Os novos tratamentos disponíveis em 2026 estão mudando a forma como médicos lidam com a doença e como pacientes a enfrentam.

    Com o suporte de novas tecnologias, as chances de preservar ou recuperar a visão aumentaram. O acompanhamento oftalmológico regular e a adesão ao tratamento são essenciais para alcançar resultados positivos.

    Se você ou alguém da sua família foi diagnosticado com DMRI, saiba que há esperança e soluções em evolução. Quanto mais cedo o tratamento começar, maiores serão as chances de manter a visão por mais tempo.

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