Cientistas apresentaram um novo mapa detalhado do continente que está escondido sob a camada de gelo da Antártida, um avanço que pode transformar nossa compreensão sobre como essa massa de gelo reage ao aquecimento global. Esse conhecimento é vital, especialmente para prever o aumento do nível do mar.

    Até o momento, havia mais informações sobre a topografia de planetas como Marte do que sobre o leito rochoso da Antártida, que está coberto por até cinco quilômetros de gelo. Métodos tradicionais de mapeamento, como o uso de radar a partir de aeronaves e veículos terrestres, só conseguiam capturar dados fragmentados, como se fossem “voos ocasionais” sobre uma área vasta, segundo Robert Bingham, um dos autores do estudo.

    Recentemente, uma equipe de pesquisadores de diferentes países desenvolveu uma técnica inovadora que combina dados de satélite sobre a superfície do gelo com uma compreensão física do seu fluxo. A principal autora, Helen Ockenden, da Universidade Grenoble-Alpes, compara essa inovação a melhorar de uma câmera analógica para uma digital: a nova abordagem fornece uma imagem muito mais clara e detalhada. Esse mapeamento resultou na identificação de dezenas de milhares de colinas, cristas e vales que não eram conhecidos anteriormente. Um dos achados mais impressionantes é um grande canal localizado na Bacia Subglacial de Maud, que mede cerca de 400 km de comprimento, 6 km de largura e 50 metros de profundidade média.

    O novo mapa é considerado uma ferramenta de grande importância para a comunidade científica. Peter Fretwell, do British Antarctic Survey, destacou que ele é “realmente muito útil” e pode ajudar a preencher muitas lacunas no conhecimento atual. Essa topografia detalhada é essencial, pois as montanhas e vales sob o gelo influenciam a velocidade com que o gelo flui e o quão rápido as geleiras podem recuar.

    Além disso, esta pesquisa não se limita apenas ao mapeamento. Ela fornece informações fundamentais para melhorar os modelos climáticos, que buscam entender um dos maiores desafios do sistema terrestre: a rapidez e a intensidade do degelo na Antártida e suas consequências para o aumento dos níveis dos oceanos no futuro. O estudo foi publicado na revista Science, ampliando assim nossa visão sobre um dos locais mais extremos e menos compreendidos do planeta.

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