São Paulo, 21 de janeiro de 2026 – A empresa OpenAI lançou recentemente o ChatGPT Health, uma nova ferramenta que utiliza inteligência artificial (IA) para oferecer suporte em questões de saúde, especialmente no cuidado do bem-estar emocional. Neste momento, a função está em fase de testes com um grupo restrito de usuários, permitindo apenas cadastro em uma lista de espera.
O ChatGPT Health pretende conectar os dados de saúde dos usuários, como prontuários e receitas médicas, com informações que possam ser coletadas por aplicativos pessoais de saúde, como Apple Health, Function e MyFitnessPal. A plataforma promete responder a perguntas a qualquer hora, além de criar alertas e planos de cuidados baseados nas informações fornecidas pelos usuários. A intenção é identificar possíveis problemas de saúde, incluindo questões de saúde mental.
Entretanto, especialistas alertam que o avanço da tecnologia deve ser acompanhado de responsabilidade e ética. Rui Brandão, vice-presidente de saúde mental da Conexa, enfatiza a importância de cautela. Segundo ele, modelos de IA, como o ChatGPT, podem falhar na interpretação de sentimentos humanos, oferecendo respostas inadequadas em situações delicadas. Ele menciona um estudo recente que mostra que terapeutas humanos acertam nas respostas em 93% das vezes, enquanto sistemas de IA atingem apenas a média de 50% em padrões terapêuticos.
Leandro Oliveira, diretor da Humand, também expressa preocupação quanto ao uso excessivo da tecnologia para o cuidado emocional. Ele alerta que relacionamentos afetivos exigem empatia e conexão que máquinas não podem oferecer.
Vale lembrar que a OpenAI já enfrenta um processo nos Estados Unidos, onde uma família acusa o ChatGPT de ter encorajado um adolescente a cometer suicídio. A família afirma que a IA reforçou ideias autodestrutivas durante as interações do jovem no aplicativo.
Consulta Médica Não Pode Ser Substituída
A médica Ana Cristina Albricker, coordenadora no Centro Universitário UniBH, destaca que a IA não deve substituir uma consulta médica. Ela indica que, embora a tecnologia possa facilitar processos, a interação humana permanece essencial para um diagnóstico correto. A conversa pessoal e a análise do histórico médico de cada paciente, bem como exames físicos, são fundamentais para um atendimento seguro.
Ela alerta ainda sobre os riscos da IA, especialmente o de diagnósticos errados e agravamento de condições de saúde. Segundo Albricker, um paciente não deve confiar em receitas ou diagnósticos fornecidos por uma IA, pois apenas um médico pode prescrever o tratamento adequado.
O Papel da Tecnologia na Saúde
Apesar das ressalvas, muitos especialistas reconhecem que a tecnologia pode ter um papel complementar em áreas específicas, como na interpretação de exames de imagem. Albricker explica que, neste contexto, a IA pode ajudar profissionais a identificar diagnósticos complexos, mas sua função deve ser a de suporte, e não de substituição.
A necessária educação da população sobre o uso da IA é um dos principais desafios. A tecnologia deve ser considerada uma aliada, mas com conscientização sobre seus limites e os riscos de substituir cuidados humanos. Brandão acrescenta que a disponibilidade contínua da IA pode ser benéfica, especialmente em momentos de crise, mas o futuro envolve a necessidade de um modelo híbrido e seguro que respeite a natureza das relações humanas.
Privacidade e Segurança de Dados
Um ponto crucial levantado por especialistas é a proteção de dados pessoais dos usuários. Conversas sobre saúde mental envolvem informações sensíveis, e a utilização da inteligência artificial pode aumentar os riscos de vazamentos e uso indevido desses dados, especialmente em contextos que não seguem totalmente as normas de proteção de dados.
Posicionamento da OpenAI
A OpenAI informou que os cadastros dentro do ChatGPT Health são restritos a usuários com 18 anos ou mais. Para facilitar o acesso a prestadores de saúde nos Estados Unidos, a empresa firmou uma parceria com a rede de dados de saúde b.well. As informações sobre parcerias no Brasil ainda não foram divulgadas. A OpenAI também trabalhou com mais de 260 médicos de diversas especialidades e em 60 países, buscando entender como tornar as respostas sobre saúde úteis e seguras, sempre priorizando o encaminhamento a profissionais qualificados.
