Em meio às investigações sobre o Banco Master, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão discutindo maneiras de minimizar os problemas gerados pelo modo como o ministro Dias Toffoli tem conduzido o caso. Sua atuação tem sido alvo de críticas de agentes da Polícia Federal e investigadores, principalmente pela redução do prazo para depoimentos e algumas decisões que têm causado desconforto entre os magistrados da Corte.

    Diversas ações estão sendo consideradas. Uma delas é uma possível declaração de suspeição de Toffoli, que poderia ser solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Outra alternativa seria transferir as investigações para a primeira instância, caso se conclua que não há necessidade de manter o caso no STF devido ao foro privilegiado.

    No entanto, muitos ministros acreditam que Toffoli não se declarará impedido ou suspeito de atuar, mesmo que isso possa ser sugerido. A tendência é que o caso continue sob a análise do STF, com Toffoli como relator, já que se acredita que a pressão sobre o tema deve diminuir com o tempo.

    Uma saída adicional para resolver a crise é a aprovação de um código de conduta para os ministros dos tribunais superiores. A proposta está sendo discutida e pode ser uma resposta às críticas que têm surgido em relação à atuação do tribunal no caso do Banco Master.

    A PGR já recebeu solicitações sobre a suspeição de Toffoli, incluindo um pedido feito pelo senador Eduardo Girão, que deseja que a Procuradoria analise possíveis conflitos de interesse do ministro. No entanto, tentativas anteriores de afastar ministros do STF não avançaram.

    O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, após serem descobertas irregularidades em suas operações financeiras. As investigações da Polícia Federal estão apurando indícios de fraudes e crimes financeiros que envolvem a instituição e seus dirigentes.

    A tensão entre a atuação de Toffoli e a Polícia Federal ficou evidente quando ele diminuiu o prazo para a coleta de depoimentos de cinco para apenas dois dias, justificando que os interrogatórios estavam autorizados desde dezembro e que a Corte enfrentava limitações operacionais. Além disso, ele determinou que a Polícia Federal apresentasse um novo calendário para os depoimentos.

    Outro ponto de atrito é a gestão de provas apreendidas durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. Toffoli inicialmente decidiu que essas provas fossem mantidas sob a custódia do STF. Ele também autorizou que peritos escolhidos por ele participassem da análise dos dados, com a supervisão da PGR.

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