O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, cancelou a visita que faria ao ex-presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira, dia 22. Tarcísio informou que pedirá uma nova data para o encontro em breve. Essa seria a primeira conversa entre os dois desde que Bolsonaro indicou seu filho, Flávio, como candidato à presidência nas próximas eleições, desafiando o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
O último encontro entre Tarcísio e Bolsonaro ocorreu em setembro, quando o ex-presidente estava em prisão domiciliar. Segundo pessoas próximas a eles, a visita havia sido agendada a pedido de Bolsonaro, que atualmente está detido no Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda.
Durante essa conversa, a expectativa era de que Bolsonaro expressasse apoio ao governador em sua reeleição e confirmasse Flávio como seu candidato à presidência. Em nota, a assessoria de Tarcísio explicou que o adiamento da visita se deve a compromissos do governador em São Paulo.
Um político aliado de Flávio mencionou que Tarcísio precisa alinhar sua posição com Bolsonaro. Esse aliado afirmou que se Tarcísio continuar com uma postura hesitante em apoiar Bolsonaro, poderá perder eleitores no estado.
Muitos apoiadores de Bolsonaro esperavam que a visita servisse para mostrar a unidade do grupo político. Um deputado federal ressaltou que diversos parlamentares ainda não compreendem que a escolha de Flávio para a candidatura é séria e deve ser confirmada pelo governador.
Em um evento de entrega de casas em São José da Bela Vista, no interior de São Paulo, Tarcísio comentou sobre o encontro e disse que iria ao local para apoiar um amigo. Ele enfatizou sua consideração por Bolsonaro e expressou sua disposição de ajudar o ex-presidente.
Flávio Bolsonaro anunciou a decisão do pai sobre sua candidatura em 5 de dezembro. Ele se deslocou a São Paulo para discutir o assunto com Tarcísio, surpreendendo até mesmo a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Com o ceticismo no mundo político, Flávio divulgou uma carta manuscrita por Bolsonaro em 25 de dezembro, na qual o ex-presidente confirma a indicação de Flávio como candidato.
Bolsonaro tinha planejado comunicar essa decisão em uma entrevista, mas cancelou o encontro por motivos de saúde. A escolha de Flávio foi controversa e causou divisões na família; enquanto Flávio apoiava a ideia, Michelle e advogados de Bolsonaro tinham dúvidas sobre os riscos jurídicos e políticos envolvidos.
Além disso, é importante destacar que Tarcísio e Flávio precisam conversar sobre o apoio político do governador nas eleições. Existe uma pré-candidatura para o Senado de Guilherme Derrite, ex-secretário estadual de Segurança, mas ainda não foi definida a segunda vaga na chapa que será destinada ao PL, partido de Bolsonaro.
Diante da ausência de Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro, candidatos que tiveram grande número de votos nas últimas eleições, o PL está buscando novos nomes que possam atrair votos, tanto para o Senado quanto para a Câmara dos Deputados. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já mencionou que está avaliando a viabilidade da deputada federal Rosana Valle como uma possível candidata.
