Polícia Civil realiza operação contra violência doméstica e feminicídios no Rio Grande do Sul

    A Polícia Civil no Rio Grande do Sul lançou uma operação chamada “Ano Novo, Vida Nova”, que resultou na prisão de 29 homens suspeitos de violência doméstica. A ação ocorreu entre a manhã de terça-feira (20) e quarta-feira (21), abrangendo várias localidades do estado.

    Durante a operação, que contou com a participação de mais de 300 policiais, foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão, além da apreensão de quatro armas de fogo. A polícia também investigou 102 denúncias anônimas relacionadas a casos de violência.

    Segundo a delegada Waleska Alvarenga, que coordena as Delegacias da Mulher no estado, muitos dos agressores presos descumpriram medidas protetivas destinadas a proteger as vítimas. Ela destacou a importância dessas medidas, afirmando que, caso descumpridas, os agressores podem ser presos.

    Dados foram apresentados a respeito dos feminicídios no estado. Em 2025, houve 80 vítimas de feminicídio, e apenas 5% dessas vítimas possuíam medidas protetivas de urgência. Além disso, 75% não tinham registros contra os agressores. Neste ano, já foram registrados sete casos de feminicídio, o mesmo número do ano passado nesse período.

    Waleska enfatizou que o combate ao feminicídio é uma prioridade e que a polícia continuará a realizar operações periódicas para enfrentar essa realidade. O crime de feminicídio, segundo a delegada, ocorre em sua maioria dentro das residências, e é necessário um trabalho conjunto entre diferentes áreas, como educação e assistência social, para gerar mudanças efetivas.

    O delegado Juliano Ferreira, diretor do Departamento de Proteção aos Grupos Vulneráveis, também destacou que essas operações se tornarão sistemáticas e mensais. Ele ressaltou que muitos dos agressores presos poderiam potencialmente cometer feminicídios, fazendo um apelo para que as mulheres que não conseguem pedir ajuda sejam alcançadas por essas iniciativas.

    A secretária adjunta de Segurança Pública, Adriana Regina da Costa, reforçou a importância de encorajar as mulheres a buscarem ajuda em situações de violência, seja por meio da Polícia Civil ou da Brigada Militar. Ela também mencionou que o estado está construindo parcerias com outras secretarias, como a de Saúde, para melhorar o atendimento às vítimas de violência.

    Casos recentes de feminicídio

    Os primeiros casos de feminicídio de janeiro incluem o assassinato de Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte, de 31 anos, ocorrido em 4 de janeiro em Guaíba, onde ela foi morta a facadas pelo namorado. O crime mais recente foi na terça-feira (20), em Muitos Capões, onde Uliana Teresinha Fagundes, de 59 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro após assinar o divórcio. Nesse mesmo dia, a adolescente Mirella dos Santos da Silva, de 15 anos, foi assassinada em Sapucaia do Sul, com o ex-namorado sendo preso.

    Em Porto Alegre, outras duas mulheres foram mortas a facadas neste mês, incluindo Paula Gabriel Torres Pereira, de 39 anos, assassinada em uma parada de ônibus.

    Onde buscar ajuda em casos de violência contra a mulher

    Para mulheres que estão enfrentando ou já enfrentaram violência, é fundamental saber onde e como buscar ajuda.

    • Brigada Militar: Ligue 190 para atendimento 24 horas.
    • Polícia Civil: A vítima deve ir à Delegacia da Mulher ou qualquer delegacia para registrar a ocorrência.
    • Delegacia Online: É possível registrar crimes online pela Delegacia de Polícia Online da Mulher e solicitar medidas protetivas.
    • Central de Atendimento à Mulher: Disque 180 para denúncias e informações sobre direitos.
    • Ministério Público: Atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo interior do estado.
    • Defensoria Pública: Ligue 0800-644-5556 para orientação sobre direitos.
    • Centros de Referência de Atendimento à Mulher: Oferecem apoio psicológico e jurídico a mulheres em situação de violência.

    A luta contra a violência doméstica é um esforço contínuo que envolve tanto a ação das autoridades quanto a conscientização e o suporte à comunidade.

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