A questão do modelo de multi-clubes tem gerado intensos debates no mundo do futebol, especialmente no que diz respeito à relação entre Chelsea e Strasbourg. Desde que o consórcio BlueCo, liderado por Todd Boehly e Clearlake Capital, adquiriu o Strasbourg em junho de 2023, uma série de transferências de jogadores entre os dois clubes tem ocorrido, gerando preocupações e controvérsias.
Recentemente, o atacante David Fofana foi o 12º jogador a se transferir entre Chelsea e Strasbourg nesta temporada, destacando a crescente interdependência entre as duas entidades. Contudo, essa relação não tem sido bem recebida por parte dos torcedores do Strasbourg. Apesar de a equipe ter apresentado um desempenho relativamente bom em campo e ter ampliado seu estádio após a chegada do BlueCo, muitos fãs expressam a sensação de que o clube perdeu sua identidade única.
O cenário se complica ainda mais com a iminente pressão regulatória. À medida que o prazo da UEFA se aproxima, os proprietários do Chelsea foram alertados sobre a necessidade de evitar potenciais conflitos de interesse entre suas duas equipes. De acordo com o especialista em finanças do futebol, Stefan Borson, a UEFA exige que grupos de propriedade que operam múltiplos clubes que possam se qualificar para a mesma competição europeia implementem medidas para cumprir as regras de multi-clube até 1º de março.
No contexto do Chelsea, a situação se torna crítica. Caso o Strasbourg, atualmente em 7º lugar na Ligue 1, termine a temporada em 4º e se classifique para a Liga dos Campeões, enquanto o Chelsea termina em 5º, o clube londrino poderia ser rebaixado para a Liga Europa. Essa possibilidade torna urgente a implementação de um “trust cego”, onde o controle do Strasbourg seria temporariamente transferido para uma terceira parte.
O professor Kieran Maguire, da Universidade de Liverpool, enfatiza a importância dessa medida: “Chelsea possui executivos experientes, e espero que tomem as medidas apropriadas para minimizar o risco de conflito de interesse. Seria extremamente embaraçoso se o Strasbourg terminasse em uma posição superior e, como resultado, o Chelsea fosse excluído da Liga dos Campeões ou da Liga Europa.” Ele também destacou a dependência do Chelsea de receitas europeias, especialmente considerando a falta de um patrocinador de camisa no momento.
Enquanto a administração do Chelsea se prepara para enfrentar esse desafio regulatório, a situação em Strasbourg continua a ser monitorada de perto. A possibilidade de futuras aquisições na América do Sul e em Portugal por parte do BlueCo acrescenta uma camada extra de complexidade à situação financeira e operacional dos clubes envolvidos.
Com o prazo se aproximando, a necessidade de uma resposta rápida e eficaz por parte da administração do Chelsea se torna cada vez mais evidente. A administração deve agir para garantir que os interesses de ambos os clubes sejam protegidos e que os riscos de conflitos de interesse sejam adequadamente gerenciados, evitando assim consequências prejudiciais para o clube londrino nas competições europeias.

