O goleiro Carlos Lampe, aos 39 anos, vive a expectativa de levar a Bolívia de volta à Copa do Mundo após 32 anos. O país não disputa o torneio desde 1994. O arqueiro, que é o jogador com mais partidas pela seleção nacional, tem a chance de realizar esse sonho na repescagem contra Suriname e Iraque.

    “Todos estão com muitas expectativas. Minha esposa e minha filha virão (para o México). Uma das minhas filhas, porque as outras vão ficar. A verdade é que todos estão com expectativas, com muita animação de cumprir esse sonho. Vamos tentar fazer com que isso seja possível”, disse Lampe.

    Com quatro participações na Copa América (2016, 2019, 2021 e 2024) e 64 jogos pela seleção, Lampe é uma figura histórica. Ele também acumula 48 partidas na Libertadores, muitas contra times brasileiros. Em 2026, seu clube, o Bolívar, está no grupo do Fluminense na competição continental.

    O goleiro afirma que nenhuma de suas conquistas anteriores se compara à possibilidade de classificar para a Copa do Mundo. Ele destaca a experiência recente do Bolívar contra equipes brasileiras, como Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG.

    “O Bolívar tem uma linda equipe, jogamos de igual para igual com Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG, Internacional, Athletico-PR… Creio que o jogo que fomos mais difíceis de derrotar foi contra o Flamengo em 2024”, comentou. “Se não vinha o Flamengo, vinha o Palmeiras (no sorteio), as duas melhores equipes na atualidade no Brasil. É muito difícil jogar contra eles”.

    Lampe também falou sobre o fator altitude, uma vantagem histórica da Bolívia quando joga em La Paz, a mais de 3.600 metros. “A verdade é que com o Bolívar levamos vantagem porque somos uma equipe agressiva… Acho que temos vantagem e fazemos (os adversários) sentirem o efeito da altura”, explicou.

    Sobre os adversários da repescagem, o goleiro prega respeito. “Vejo muito equilíbrio. Porque eles (Suriname) também estão nationalizando jogadores de primeiro nível… Acredito que para nós, a chave é o primeiro jogo, porque sabemos que fisicamente eles são fortes”.

    Uma possível volta do atacante Marcelo Moreno, que saiu da aposentadoria com o sonho de jogar a Copa, é vista com otimismo por Lampe. “Conheço o Marcelo, eu conheço a disciplina dele como jogador, ele é um jogador histórico… Acho que eu vejo possibilidade”, disse.

    O técnico Óscar Villegas, que assumiu a seleção em 2024, é apontado como um dos responsáveis pela reação boliviana nas Eliminatórias. A vitória sobre o Brasil na última rodada, que garantiu a vaga na repescagem, foi marcante. “Pudemos ganhar no Chile, em uma Data Fifa que foi muito importante para que pudéssemos acreditar… Acho que mudou um pouco o ambiente, se tirou a pressão dos garotos”, avaliou Lampe.

    O desejo final do veterano goleiro é claro: fazer história. “A única coisa que passa em minha cabeça é fechar uma etapa na seleção jogando um Mundial. Acredito que fazer história de verdade, é isso que passa em minha cabeça”, finalizou Lampe, emocionado com a chance de repetir o feito da geração de 1994.

    A classificação da Bolívia para a repescagem da Copa do Mundo gerou grande euforia no país. A última participação boliviana no Mundial foi há três décadas, nos Estados Unidos. Agora, a equipe comandada por Villegas busca um lugar entre os 48 times que disputarão a edição de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México.

    O caminho na repescagem será disputado em junho, em Monterrey, no México. A Bolívia enfrenta o Suriname, e o vencedor joga contra o Iraque pela última vaga disponível. A torcida boliviana, conhecida por sua paixão, promete marcar presença no estádio para apoiar a seleção na tentativa de terminar o longo jejum.

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    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Universo NEO e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.