O acesso à internet por crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos nas escolas teve uma queda significativa em 2025. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, divulgados em São Paulo, mostram que a porcentagem de jovens que usam a internet nas escolas caiu de 56% em 2024 para 42% em 2025.

    A coordenadora da pesquisa, Luísa Adib, acredita que essa redução está relacionada à nova lei que restringe o uso de celulares em salas de aula, aprovada no início do ano. A coleta de dados começou em março, quando essa medida já estava em vigor. Assim, é possível notar uma conexão entre a limitação do uso de celulares e a diminuição do acesso à internet nas escolas.

    Além disso, Adib aponta que a queda no uso da internet nas escolas reflete uma discussão mais ampla sobre a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital. Segundo ela, essa diminuição está ligada a regulamentações já existentes nas instituições de ensino, mas também abrange debates sobre redes sociais e um projeto de Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, que ainda não entrou em vigor.

    O estudo TIC Kids Brasil 2025, realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, sugere que o acesso à internet entre crianças e adolescentes se manteve praticamente estável em comparação aos dois anos anteriores. A pesquisa revela que 97% dos jovens entre 9 e 17 anos no Brasil utilizam a internet, sendo uma leve redução em relação aos 98% do ano passado e 100% de dois anos atrás. Isso representa aproximadamente 29 milhões de jovens que acessaram a internet nos últimos três meses no país.

    Embora o número de usuários esteja estável, a coordenadora aponta que as formas de uso estão mudando. Está se observando uma diminuição no acesso à internet nas escolas e na utilização de redes sociais, especialmente entre os mais jovens, voltando a níveis anteriores à pandemia.

    De acordo com o levantamento, o celular é o principal dispositivo usado por crianças e adolescentes para acessar a internet, com 90% dos entrevistados indicando esse aparelho. Outros dispositivos mencionados foram a televisão (80%), o computador (35%) e o videogame (20%). Além disso, 90% dos jovens afirmaram acessar a internet em casa várias vezes ao dia. Nas escolas, 17% afirmaram ter acesso diário, 14% uma vez por semana e 12% apenas uma vez ao mês.

    Entre as principais atividades que esses jovens realizam online, destacam-se: pesquisas escolares (86%), busca de informações sobre temas de interesse (75%), leitura ou visualização de notícias (53%) e informações sobre saúde (36%).

    O estudo mostrou também que o número de crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos que nunca acessaram a internet aumentou. Em 2024, esse total era de aproximadamente 522 mil, enquanto em 2025, subiu para 715 mil.

    A coordenadora Luísa Adib comentou que a pesquisa também se concentrou nos hábitos de consumo de vídeos online. Antes, já sabíamos que 85% das crianças e adolescentes assistiam a vídeos frequentemente. Agora, buscamos entender mais sobre quais tipos de vídeos são consumidos. A maioria do conteúdo acessado é de influenciadores digitais.

    Quase metade (52%) dos jovens dessa faixa etária acessa vídeos de influenciadores várias vezes ao dia. Apesar de nem todo o conteúdo ser prejudicial, grande parte envolve a promoção de produtos, jogos de apostas ou visitas a lojas, o que pode representar riscos para os jovens.

    Diante desse cenário, Luísa ressalta a importância do acompanhamento dos pais no uso da internet por crianças e adolescentes. Ela observa que, embora a internet traga oportunidades, ela também apresenta riscos que tornam o acompanhamento familiar fundamental. A pesquisa indica que a mediação ativa, com diálogo entre pais e filhos sobre suas atividades online, resulta em benefícios muito maiores.

    Adib ainda ressalta que as plataformas digitais também devem desempenhar um papel na mediação, conforme as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital. Nenhuma estratégia isolada é suficiente; o uso de recursos técnicos pelas plataformas funciona melhor quando é complementado por uma medição ativa dos responsáveis.

    O levantamento envolveu 2.375 crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos e igualmente 2.375 pais ou responsáveis em todo o Brasil. A pesquisa foi realizada entre março e setembro de 2025 e é conduzida anualmente desde 2012, exceto em 2020, quando não pôde ser realizada devido à pandemia de covid-19.

    Os dados coletados mostram a importância de entender não apenas o acesso, mas como esse acesso é feito e como ele pode impactar o desenvolvimento dessas crianças e adolescentes. A internet é uma ferramenta poderosa que abre muitas portas, mas exige uma gestão consciente e responsável, tanto por parte dos pais quanto das instituições de ensino, garantindo um ambiente seguro e benéfico para os jovens.

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