Tami Oldham Ashcraft: Um Luta Sobrevivente no Oceano Pacífico
Em 1983, Tami Oldham Ashcraft se viu perdida no meio do Oceano Pacífico, após um furacão devastar seu barco e levar seu noivo, Richard Sharp. O que se seguiu foi uma luta intensa pela sobrevivência que durou 46 dias.
Tami começou sua jornada com Richard, enquanto navegavam em um veleiro de 36 pés. Eles eram um casal apaixonado por aventuras no mar e estavam animados para aceitar o desafio de entregar um iate de 44 pés, chamado Hazana, de Tahiti para San Diego. A viagem, que totalizava mais de 4.000 milhas, era a maior que já haviam feito.
No dia 22 de setembro, o casal partiu do Porto de Papeete. Mas, algumas semanas depois, um desastre inesperado se aproximou. Um furacão poderoso, que foi classificado como categoria quatro, começou a se formar nas proximidades. Tami e Richard tentaram escapar, mas a tempestade os alcançou.
O Furacão Raymond e a Tragédia
No início de outubro, a tempestade já se mostrava ameaçadora. O casal tentou navegar para longe, mas não conseguiram. Com ventos de 140 mph e ondas de 40 pés, a situação se tornou insustentável. No dia 12 de outubro, eles estavam no trajeto do furacão.
Tami e Richard se prepararam: vestiram capas de chuva e barraram as janelas do barco. Em meio ao caos, Richard disse a Tami para procurar abrigo abaixo do convés, enquanto ele se amarrava com um cinto de segurança. Mas, momentos depois, o barco virou. A força do vento arremessou Tami contra a parede, deixando-a inconsciente.
Quando acordou 27 horas depois, Tami estava cercada por destruição. A cabine estava parcialmente inundada e o barco havia sofrido graves danos. Richard não estava mais lá, e Tami acreditava que o vento o havia levado para o mar. Apesar de tudo, o barco ainda flutuava e com isso, ela tinha uma chance de sobreviver.
Uma Luta por Sobrevivência
Tami não teve tempo para lamentar. A pressão para sobreviver foi imediata. O barco estava se enchendo de água e sua cabeça estava machucada. Ela rapidamente se lançou à ação, esvaziando a água do casco com suas próprias mãos, tarefa exaustiva e interminável.
Com o que restou do equipamento, Tami improvisou uma vela usando um mastro quebrado. Sabendo que Hilo, no Havai, era o lugar mais próximo, ela precisou navegar usando um sextante e um relógio, confiando apenas nas estrelas para encontrar o caminho. A situação era crítica, pois um erro significaria naufragar em águas abertas sem chances de resgate.
41 Dias Sozinha no Oceano Pacífico
Durante os 41 dias seguintes, Tami lutou contra o desespero e a solidão. A cada dia, ela se alimentava de saladas em lata e sardinhas. Conversava com o mar e com seu noivo que havia partido, tentando quebrar o silêncio opressivo ao seu redor. Em momentos de extrema solidão, a dor da perda de Richard começou a aflorar, mas a necessidade de viver a mantinha focada.
Ela se recordou de ter dito a si mesma: “Não posso chorar, pois estou perdendo muita água.” O instinto de sobrevivência a fez perceber que tinha uma força interna muito maior do que imaginava.
Finalmente, no 41º dia, um barco de pesquisa japonês avistou o Hazana flutuando de forma errática perto do porto de Hilo. Ao se aproximar, a tripulação ficou em choque ao descobrir que ainda havia uma vida a bordo. Tami, embora bastante debilitada e traumatizada, estava viva.
Encontrando um Novo Propósito Após a Tempestade
Após sua experiência traumática, Tami encontrou uma forma de lidar com o que havia passado através da escrita. Embora tivesse dificuldades para ler devido a uma lesão na cabeça, ela conseguiu registrar sua história, a qual se tornou o livro Red Sky in Mourning: A True Story of Love, Loss, and Survival at Sea. O relato foi traduzido para várias línguas e adaptado para um filme chamado Adrift.
Em entrevistas, Tami compartilhou que a parte mais difícil foi lidar com a perda de Richard. As recordações e a dor se intensificaram quando ela chegou à costa e viu outras pessoas felizes juntas. O instinto de sobrevivência a ajudou a focar durante sua luta no mar, mas quando a realidade bateu, a tristeza foi esmagadora.
Hoje, Tami vive nas Ilhas San Juan, em Washington, onde continua a navegar. Ela se casou novamente e tem dois filhos. Apesar da dor por sua experiência, ela encontrou paz em sua vida.
Uma lembrança de sua luta é um pequeno pingente de sextante, adornado com um diamante, que Tami usa todos os dias. Esse símbolo a lembra de como conseguiu voltar para casa e de sua extraordinária força interior.
Tami Oldham Ashcraft não apenas sobreviveu a uma das experiências mais desafiadoras, mas também se reinventou após essa tragédia. Sua história é uma prova de resiliência e força humana diante das adversidades.
