Câmara dos Deputados dos EUA Renova Subsídios do Obamacare
Na quinta-feira, 9 de outubro, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou a renovação dos subsídios do Affordable Care Act (ACA), popularmente conhecido como Obamacare. Esse programa tem como objetivo reduzir os custos de planos de saúde para famílias de baixa e média renda e é financiado através de impostos.
Os subsídios, que haviam vencido em dezembro de 2025, levaram a um aumento significativo nas despesas de saúde para muitos americanos, gerando um desafio político para o Partido Republicano, que tem se oposto ao ACA desde sua criação, em 2010, pelo então presidente Barack Obama.
A votação contou com o apoio de 17 deputados republicanos, que se uniram aos democratas para aprovar o projeto que restabelece os subsídios. Agora, a proposta segue para o Senado, onde a discussão sobre o aborto pode complicar as negociações.
Desde 1976, a Emenda Hyde proíbe o uso de recursos públicos para financiar abortos, exceto em casos de gravidez resultante de estupro ou risco à vida da gestante. Recentemente, o ex-presidente Donald Trump gerou polêmica ao sugerir que os deputados poderiam ser mais flexíveis em suas posições sobre essa restrição. O Partido Republicano, que possui sua própria proposta para o programa de saúde, considera a extensão dos subsídios do Obamacare por três anos improvável de ser aprovada no Senado, dominado pelos democratas.
Apesar disso, a votação na Câmara pode pressionar os senadores a solicitar um acordo, possivelmente alterando a forma como os subsídios são distribuídos, como por meio de pagamentos diretos às famílias. Atualmente, planos de saúde que cobrem abortos em estados onde a prática é legal precisam separar esses custos para garantir que não utilizem recursos federais. Grupos conservadores, como a National Right to Life, defendem novas restrições que impediriam planos com cobertura para abortos de receber ajuda federal.
A proposta aprovada não aborda diretamente a questão do aborto, o que gerou descontentamento entre grupos antiaborto que tentaram bloquear a votação em dezembro. A falta de consenso resultou na expiração dos subsídios.
Durante um discurso no Kennedy Center, em Washington, Trump pediu aos deputados republicanos que fossem “um pouco flexíveis” para alcançar um acordo sobre a versão do programa de saúde que sua administração prioriza, visando conter o aumento do custo de vida. No entanto, essa declaração não foi bem aceita por alguns aliados, incluindo o senador Kevin Cramer, que afirmou que “não somos flexíveis” em relação ao tema.
Marjorie Dannenfelser, presidente da organização antiaborto Susan B. Anthony, comentou que uma mudança de postura do Partido Republicano poderia prejudicar sua relação com os eleitores e resultar em derrotas nas próximas eleições.
As eleições legislativas de meio de mandato em 2026 podem alterar as dinâmicas de poder no Congresso, sendo um importante termômetro da popularidade do governo. Atualmente, o Partido Republicano controla as duas casas, mas com uma margem reduzida na Câmara.
O desafio para os republicanos será avaliar qual questão impactará mais os eleitores: a flexibilização da posição sobre o aborto ou o aumento dos custos de saúde. Trump tem enfatizado a questão econômica como sua prioridade, embora tenha mudado sua posição sobre o aborto ao longo do tempo, evitando, em grande parte, o tema durante seu segundo mandato.
