Operações dos EUA em Relação à Venezuela e suas Implicações para a Rússia
Recentemente, os Estados Unidos realizaram uma operação para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Essa ação levantou discussões sobre como isso pode impactar a posição da Rússia, que tem enfrentado desafios em diversos conflitos internacionais, incluindo a guerra na Ucrânia.
A mudança de poder na Venezuela representa mais uma dificuldade para o governo russo em manter aliados na região. Anteriormente, o Kremlin já havia sofrido derrotas significativas, como a queda do ex-presidente sírio Bashar al-Assad em 2024 e ataques aos seus interesses no Irã no ano passado. Com os EUA buscando aumentar sua influência na Venezuela, a Rússia pode perder uma posição estratégica no hemisfério ocidental, além de bilhões de dólares em investimentos no setor de petróleo venezuelano.
As ações dos EUA também estão criando preocupações entre outros países ocidentais e fornecendo à Rússia novos argumentos para justificar sua intervenção na Ucrânia. A captura de Maduro acirrou tensões, e a situação se torna particularmente complexa com o interesse do ex-presidente Donald Trump em apossar-se da Groenlândia, uma ação que pode desestabilizar ainda mais alianças na região.
Até o momento, Vladimir Putin não se manifestou diretamente sobre a operação dos EUA, mas seus diplomatas denunciaram a intervenção como uma violação do direito internacional. Dmitry Medvedev, ex-presidente e agora vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, criticou Washington, embora tenha reconhecido que Trump defende os interesses americanos de forma coerente.
Na quarta-feira, os EUA anunciaram a apreensão de dois petroleiros ligados à Venezuela, um deles registrado sob bandeira russa, em águas do Atlântico Norte. Essa ação reforça a intenção dos EUA de contestar a influência da Rússia na região.
Esferas de Influência e Justificativas para a Intervenção
Desde a anexação da Crimeia em 2014, Putin tem tentado justificar suas ações, descrevendo a Ucrânia como parte da esfera de influência russa. Ele argumenta que a presença militar estrangeira no hemisfério ocidental seria inaceitável e vê a expansão da OTAN como uma ameaça à segurança da Rússia.
Fiona Hill, que trabalhou na administração Trump, afirmou que houve tentativas da Rússia de negociar uma troca de influências entre a América Latina e a Europa, mas essas propostas não foram formalmente aceitas pelos EUA. Não havia um interesse genuíno por parte do governo Trump em considerar tais acordos.
Com a captura de Maduro, a Rússia começou a evacuar famílias de diplomatas da Venezuela, o que pode indicar uma tentativa de se antecipar a novos desenvolvimentos. Especialistas em relações internacionais sugerem que a Rússia pode estar se afastando de sua influência na Venezuela na expectativa de obter liberdade de ação na Ucrânia.
A Presença da Rússia na Região
Antes da invasão da Ucrânia, a Rússia havia emitido avisos sobre a possibilidade de enviar tropas para Cuba e Venezuela. Esses alertas foram geralmente considerados como exageros por analistas ocidentais. A relação entre Rússia e Cuba, que teve seus altos e baixos após o colapso da União Soviética, também se tornou um ponto de discussão, principalmente devido ao aumento das tensões globais.
A Rússia investiu substancialmente na indústria petrolífera venezuelana e forneceu armamentos ao país, incluindo caças e mísseis. Apesar das demonstrações de força, especialistas militares notam que criar uma base militar permanente no hemisfério ocidental traria grandes desafios logísticos para Moscou.
A Doutrina do Uso da Força
A prisão de Maduro e sua esposa pelos EUA foi vista como um indicativo de que a força pode prevalecer em situações onde acordos diplomáticos fracassam. Isso pode dificultar a contestação das ações da Rússia na Ucrânia, pois cria um precedente de intervenções.
A captura de Maduro, além de gerar um clima de instabilidade, levanta questões sobre a legitimidade das intervenções internacionais e a aplicação do direito internacional. Com acusações pesadas contra o governo venezuelano, relacionados ao tráfico de drogas, a situação se complica ainda mais, tornando difícil para os países condenarem ações semelhantes por parte de Moscou na Ucrânia.
Enquanto isso, os defensores de uma postura mais agressiva da Rússia em relação à Ucrânia argumentam que a situação na Venezuela pressiona Moscou a intensificar sua ofensiva na região. A Guerra na Ucrânia, sob controle russo, poderia ser vista como um caminho para que a Rússia recupere sua influência no cenário global.
