Um estudo recente analisou dados de quase 100 milhões de pessoas e concluiu que não existe uma dose segura de consumo de álcool, reforçando as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mesmo pequenas quantidades de álcool estão associadas a um aumento no risco de câncer, o que questiona a ideia popular de que “beber em moderação” é seguro.

    O consumo de álcool está profundamente enraizado na sociedade como um símbolo de socialização e pertencimento. Muitas vezes, recusar uma bebida em eventos sociais pode ser visto como algo incomum, já que a prática de brindar e consumir álcool está presente em celebrações, reuniões familiares e até em grandes eventos esportivos.

    Por exemplo, a próxima Copa do Mundo, que ocorrerá nos Estados Unidos, México e Canadá, contará com patrocinadores conhecidos por suas bebidas alcoólicas e ultraprocessadas, o que ilustra como essas associações com felicidade e festa continuam a prevalecer. Esse modelo não é novo, pois antigamente também era comum a publicidade associar o tabagismo a momentos de alegria, como nos comerciais da década de 90.

    Com o avanço da ciência, sabemos que o álcool é uma substância tóxica e carcinogênica. Quando consumido, o corpo o transforma em acetaldeído, uma substância que pode danificar o DNA celular e levar à multiplicação descontrolada de células. Não importa o tipo de bebida, todos os produtos que contêm etanol podem causar sérios danos à saúde. Mesmo o consumo considerado leve está relacionado a riscos palpáveis, especialmente quando combinado com tabaco, que já é conhecido por ser extremamente prejudicial.

    Estudos mostram que essa combinação de álcool e tabaco aumenta significativamente o risco de câncer em diversas áreas, incluindo boca, garganta e esôfago. Além disso, alimentos ultraprocessados, comuns na dieta atual, também têm sido ligados ao aumento da incidência de câncer colorretal, afetando até mesmo pessoas mais jovens.

    Discutir esses temas não é sobre proibir ou julgar comportamentos, mas sim sobre informar. Reduzir o consumo de álcool, ultraprocessados e tabaco é uma estratégia importante não apenas para prevenir o câncer, mas também para evitar doenças cardiovasculares e outros problemas de saúde, como a obesidade.

    Políticas de saúde pública orientadas por informações sólidas podem impactar positivamente as escolhas das pessoas. O pertencimento social não deveria exigir um preço tão alto quanto a própria saúde.

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