Aventura na Rússia: Gaúchos e um Fusca na Copa do Mundo de 2018

    Em 2018, ano da Copa do Mundo, dois gaúchos, os jornalistas Nauro Júnior e Caio Passos, embarcaram em uma viagem extraordinária pela Rússia utilizando um Fusca 1968, carinhosamente chamado de “Segundinho”. O percurso que eles fizeram somou cerca de 10 mil quilômetros por várias cidades russas, tornando a experiência única e memorável.

    A aventura foi documentada em vídeos que foram compartilhados no YouTube, incluindo momentos marcantes como a vitória do Brasil sobre a Croácia, que terminou em 2 a 0. “Esse jogo foi como andar de Fusca: difícil, com falhas, mas no final, só felicidade”, disse Nauro, que sentiu uma forte emoção ao relembrar o momento.

    Nessa jornada, realizada em 42 dias, eles não apenas assistiram a jogos, mas também conheceram a cultura local, buscando sempre um lado diferente da Copa do Mundo.

    Desbravando a Rússia

    Para levar o Fusca até a Rússia, o carro teve que ser exportado. A viagem começou em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, em 9 de abril, e o veículo chegou a São Petersburgo em 11 de junho. Segundo Nauro e Caio, foi um desafio encontrar uma empresa de exportação, levando oito meses para finalizar toda a documentação necessária.

    O Fusca estava equipado com um reboque, feito a partir de partes de outro Fusca, e os viajantes trouxeram uma variedade de itens, incluindo equipamentos de camping, ferramentas, peças de reposição e até gasolina extra. Eles utilizaram uma barraca de teto como casa em algumas noites e, em outras ocasiões, se hospedaram em locais alugados pelo Airbnb ou na casa de russos que conheceram ao longo da jornada. “O Fusca abria portas para nós, porque é uma paixão mundial”, ressaltou Nauro.

    Um Carro Especial

    O “Segundinho” é especial para Nauro, mas não foi o único Fusca de sua vida. Antes, ele teve outro, chamado “Filó”, adquirido em 2013 por R$ 500 e um iPhone. O novo Fusca custou R$ 900 em 2014. Com Filó, ele deu início à “Expedição Fuscamérica”, um projeto que já passou por 17 países e resultou em um livro e um filme.

    Planejamento e Aventura

    A ideia de viajar para a Copa do Mundo começou quando Caio sugeriu que eles fossem juntos. Após quatro anos de planejamento, que incluiu vaquinhas e até a venda de peças de carro, o sonho começou a se realizar. Na Rússia, eles assistiram a todos os jogos do Brasil, exceto o primeiro. Além do futebol, buscavam também conhecer as histórias e culturas locais, explorando áreas menos turísticas.

    “Estávamos atrás do extraordinário. As estradas do interior da Rússia trouxeram muitos encontros”, comentou Caio. Durante a viagem, eles visitaram cidades como Moscou, Samara, Cazã e Níjni Novgorod, vivendo momentos impactantes, como descer em um bairro de Pelotas e, em seguida, ver o Kremlin pelo para-brisa do Fusca.

    Desafios na Estrada

    Apesar das emoções positivas, a viagem teve seus desafios. Um problema na roda do carro exigiu consertos emergenciais, e em uma ocasião, a roda simplesmente caiu durante a viagem. “Foi uma situação desesperadora,” recordou Nauro. Um desconhecido ajudou a chamar um guincho, e a comunidade local de entusiastas de Fusca se mobilizou para ajudar, mostrando como a solidariedade pode fazer a diferença nas dificuldades.

    Futuro Incerto

    Quanto à próxima Copa do Mundo em 2026, Nauro afirmou que ainda não há planos definidos para outra viagem. Embora o processo seja mais simples que para a Rússia, a falta de recursos e o planejamento antecipado são obstáculos a serem superados.

    A história de Nauro e Caio é uma lembrança de como o futebol pode unir pessoas e culturas, além de mostrar que aventuras extraordinárias são possíveis, mesmo com um carro clássico e muita determinação.

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