Aumento de Casos de Síndrome Respiratória em Goiás e a Importância da Vacinação
Em 2025, Goiás registrou 12.047 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), um aumento de 61,14% em comparação a 2024, que teve 7.476 notificações. Esses casos, que incluem complicações de gripes graves, resultaram em internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e aumentaram a pressão sobre o sistema de saúde. Em 2024, foram 825 mortes relacionadas a essa síndrome, número que subiu para 874 em 2025, resultando em um aumento de 5,93%. Quando se concentraram apenas nas mortes por Influenza, registrou-se um crescimento de 78% nesse período.
Esses casos de SRAG, muitas vezes evitáveis, poderiam ser reduzidos com a vacinação contra a gripe e a Covid-19. No entanto, a cobertura vacinal está preocupantemente baixa. Para a Covid-19, a vacinação alcançou apenas 1,62% da população abaixo de 2 anos em 2025, uma leve queda em relação a 1,53% em 2024. A vacinação contra a gripe, por sua vez, apresentou uma cobertura de 50,43%, com um pequeno aumento em relação ao ano anterior, mas ainda abaixo das taxas de vacinação que se observavam antes da pandemia, que chegavam a 95%.
Um fator que agrava essa situação é a circulação da cepa H3N2 do vírus responsável pela gripe K. Essa cepa levou a um grande aumento de casos nos Estados Unidos, com mais de 15 milhões de infecções e 7,4 mil mortes desde dezembro de 2024. Na Europa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta global sobre a propagação do vírus. O primeiro caso de gripe K no Brasil foi confirmado em dezembro do mesmo ano.
A subsecretária de Vigilância em Saúde de Goiás, Flúvia Amorim, prevê um novo aumento de casos em 2026, especialmente durante as estações de maior incidência de gripe, que têm começado cada vez mais cedo, em fevereiro e março. Esse período coincide com a elevação de casos de dengue, o que torna a situação ainda mais preocupante.
Flúvia destacou que, no último ano, a maioria dos casos graves foram causados pelo vírus da gripe, superando os de Covid-19, que eram predominantes anteriormente. A principal preocupação é que muitos desses casos poderiam ter sido evitados com a vacinação. Mesmo quando a vacina não impede a infecção, ela ajuda a prevenir casos graves e complicações.
Ainda, as autoridades de saúde têm realizado campanhas para incentivar a vacinação, mas a adesão da população tem sido insatisfatória. Flúvia mencionou que a Secretaria de Saúde de Goiás fez um estudo genético do vírus para confirmar que a cepa em circulação era coberta pela vacina disponível. A maioria dos casos graves ocorreu em pessoas não vacinadas, e mesmo a Covid-19 ainda está presente, com uma nova onda de casos se aproximando.
Outro ponto de atenção é o aumento de doenças causadas pelo vírus sincicial respiratório, que pode levar à bronquiolite em crianças menores de 2 anos. Goiás recebeu vacinas contra esse vírus, destinadas a gestantes, o que ajuda a proteger os recém-nascidos. Em fevereiro, a estado deve receber também um novo tratamento chamado Nirsevimabe, um anticorpo injetável que oferece proteção.
Flúvia fez um apelo à população sobre a importância da vacinação, ressaltando que se trata de uma proteção não apenas individual, mas também coletiva. Com as UTIs lotadas, especialmente com crianças e idosos, a vacinação se mostra fundamental. As vacinas estão disponíveis nos postos de saúde e, até março, novas doses chegarão para a campanha de 2026.
A situação em relação à Covid-19 é crítica, pois muitos ainda não se vacinam, mesmo com a vacina disponível. Flúvia esclareceu que é necessário se imunizar, principalmente as crianças, que nascem sem proteção. Muitas mães hesitam em vacinar seus filhos, colocando-os em risco. As vacinas, segundo ela, são seguras e eficazes na prevenção de formas graves da doença.
Por outro lado, há um aumento na cobertura vacinal para algumas doenças, como a vacina BCG, que protege contra a tuberculose, alcançando 90% de imunização na população-alvo. Vacinas como pentavalente e hepatite B também estão em ascensão, com coberturas em torno de 80%. Contudo, a meta é atingir 95% em todas as vacinas.
