A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que cria o Selo Nacional Empresa Amiga das Mães Atípicas.

    O Projeto de Lei 409/26 tem como objetivo reconhecer e incentivar empresas em todo o país que adotem práticas de inclusão no mercado de trabalho e de apoio a essas mães.

    A definição de mãe atípica, conforme o projeto, é a responsável legal por criança ou adolescente com deficiência, transtorno do espectro autista, doença rara ou outra condição que exija acompanhamento terapêutico contínuo.

    Para receber o selo, as empresas devem comprovar a adoção de pelo menos uma das seguintes práticas: contratação formal de mães atípicas; adoção de jornada flexível ou teletrabalho; apoio estrutural ou financeiro a feiras e eventos de empreendedorismo de mães atípicas; compra regular de produtos ou serviços fornecidos por mães atípicas formalizadas; e implementação de programas internos de capacitação e inclusão produtiva.

    A validade da certificação será anual. A renovação do selo dependerá da comprovação de que as práticas foram mantidas pela empresa no período.

    O relator da proposta, deputado Duarte Jr. (Avante-MA), apresentou parecer favorável ao projeto, que é de autoria do deputado Ribeiro Neto (Solidariedade-MA).

    Em seu relatório, Duarte Jr. destacou que as responsabilidades de cuidado contínuo e intensivo costumam criar barreiras para a entrada ou permanência dessas mulheres no mercado de trabalho.

    “A criação de um selo de reconhecimento público configura instrumento importante de estímulo às boas práticas empresariais”, afirmou o relator. Ele também disse que a medida promove a adoção de políticas inclusivas, flexibilidade nas relações de trabalho e ações de apoio.

    Segundo o parlamentar, o selo reforça o papel do setor privado na promoção da inclusão social e da equidade para um grupo que enfrenta desafios específicos.

    O projeto tramita em caráter conclusivo na Câmara e agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

    Para se tornar lei, a proposta ainda precisa ser aprovada pela CCJ e, posteriormente, pelo Plenário da Câmara. Se aprovado pelos deputados, o texto seguirá para o Senado Federal.

    Apenas após a aprovação final nas duas Casas do Congresso Nacional e a sanção do presidente da República, a criação do selo se tornará lei e poderá ser implementada em todo o território nacional.

    Iniciativas semelhantes de reconhecimento a empresas já existem em outras áreas, como no estímulo à aprendizagem profissional e na igualdade de gênero. O foco específico em mães de crianças com condições que exigem cuidados especiais, no entanto, é uma novidade no âmbito federal.

    A aprovação na comissão especializada é um passo dentro do processo legislativo. O andamento nas próximas comissões será acompanhado por grupos que defendem os direitos das pessoas com deficiência e das mulheres.

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    Nilson Tales

    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Universo NEO e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.