O governo britânico, liderado pelo primeiro-ministro Keir Starmer, enfrenta uma crise significativa após a renúncia de seu chefe de gabinete, Morgan McSweeney, em decorrência do caso envolvendo o bilionário Jeffrey Epstein. McSweeney assumiu “total responsabilidade” pela recomendação de nomear Peter Mandelson como embaixador britânico nos Estados Unidos, uma decisão que agora é vista como errônea e prejudicial ao Partido Trabalhista e à confiança pública na política.
A renúncia de McSweeney, anunciada em 8 de fevereiro de 2026, ocorre em um momento delicado para o governo, que já enfrentava críticas severas da oposição. A líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, exigiu que Starmer também assumisse a responsabilidade por suas decisões, destacando a necessidade de transparência e competência na administração pública.
Em sua carta de demissão, McSweeney expressou sua preocupação com as implicações da nomeação de Mandelson, afirmando que “prejudicou nosso partido, nosso país e a confiança na própria política”. A crise se intensificou após uma investigação criminal iniciar sobre alegações de que Mandelson teria compartilhado informações sensíveis com Epstein em 2009, durante seu tempo como secretário de negócios do Reino Unido.
Documentos revelados nos Estados Unidos mostraram que Mandelson havia enviado mensagens de apoio a Epstein quando este enfrentava acusações de crimes sexuais em 2008. Além disso, a revelação de que o marido brasileiro de Mandelson, Reinaldo Avila da Silva, recebeu pagamentos significativos do bilionário ampliou a controvérsia e levou Mandelson a deixar o Partido Trabalhista para evitar causar mais constrangimento.
Vale lembrar que Mandelson já havia sido demitido do cargo de embaixador em setembro do ano anterior, quando novas informações sobre sua relação com Epstein vieram à tona. O Ministério das Relações Exteriores divulgou um comunicado afirmando que a extensão do relacionamento entre Mandelson e Epstein era “substancialmente diferente” do que era conhecido na época de sua nomeação.
Starmer, que chegou ao poder após uma vitória esmagadora nas eleições, agora se vê em meio a uma crise que pode afetar sua administração a longo prazo. Ele acusou Mandelson de mentir durante o processo de verificação de segurança e de distorcer a natureza de sua relação com Epstein. Em resposta, Mandelson defendeu sua conduta, afirmando que não havia agido de forma criminosa e que suas respostas no processo de verificação foram precisas.
A situação de McSweeney como o “para-raios” da administração de Starmer levanta questões sobre a continuidade da pressão política após sua saída. A nomeação de Mandelson foi inicialmente vista como uma escolha estratégica, dada a necessidade de diplomacia em Washington, especialmente após o retorno de Donald Trump ao poder. Contudo, as revelações recentes mudaram drasticamente a percepção pública e a estabilidade do governo.
Com o cenário político em constante mudança e a pressão contínua sobre Starmer, resta saber se a saída de McSweeney levará a uma diminuição da crise ou se a responsabilidade começará a recair diretamente sobre o primeiro-ministro. O governo, que ainda é novo, enfrenta um período de instabilidade que normalmente se associa a administrações em seus momentos finais.

