A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, comentou nesta segunda-feira (19) a postura da Europa em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Ela defendeu que a Europa deve abandonar a tentativa de apaziguar líderes autoritários e, em vez disso, deve resistir a eles. Callamard afirmou que a credibilidade da Europa está em risco e que é necessário agir com mais coragem.
Essas declarações se deram após Trump reafirmar que os Estados Unidos pretendem “tomar posse” da Groenlândia “de uma forma ou de outra”. As autoridades americanas também alertaram que uma resposta a possíveis sobretaxas de Trump seria imprudente, especialmente considerando que a Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca. O chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou que prefere evitar uma escalada nas tarifas e que planeja se encontrar com Trump em Davos.
Callamard criticou a ideia de negociar com tiranos e pediu que os governantes deixem de aceitar as condições impostas por “predadores”. Ela destacou que a ordem mundial estabelecida após a Segunda Guerra Mundial está sob ameaça, citando ações de superpotências que buscam desmantelar essas regras. Desde a volta de Trump à presidência, seus atos têm contribuído para a deterioração dessa ordem, além do conflito entre Rússia e Ucrânia, que agrava ainda mais a situação.
A situação na Ucrânia é delicada para as potências europeias, que dependem dos EUA para abordar o conflito, mas também se opõem a concessões excessivas a Moscou. Callamard mencionou que a destruição dessa ordem mundial também é promovida por Israel, citando seu tratamento dos palestinos em Gaza, que leva a acusações de genocídio, as quais o governo israelense nega.
A secretária-geral da Anistia enfatizou que a destruição da ordem internacional atual provoca preocupação e que, à medida que os líderes se envolvem em um apaziguamento sem sentido, eles acabam enfrentando mais ameaças. Por isso, ela apelou para que os líderes europeus usem os desafios atuais como uma oportunidade para reafirmar os valores do projeto europeu, que vai além da economia e inclui o respeito ao Estado de Direito.
Callamard concluiu sua fala pedindo resistência e uma mudança na abordagem das políticas europeias, que, segundo ela, não têm dado resultados positivos. O apaziguamento não é uma solução efetiva, e é necessário que a Europa se posicione de maneira firme frente a esses desafios globais.
