A China está se destacando na geração de energia, planejando aumentar sua capacidade em sete vezes até 2025, com o objetivo de manter baixos os custos de eletricidade. Este movimento faz parte de uma estratégia mais ampla do país para se tornar líder no setor de inteligência artificial, especialmente em tecnologia de chips.
No ano passado, as usinas de energia recém-construídas na China tiveram uma capacidade total de 470 gigawatts. Para comparação, nos Estados Unidos, a previsão de crescimento de capacidade para 2025 é de 64 gigawatts. A capacidade de geração de energia da China ultrapassou a dos Estados Unidos em 2013 e, de acordo com projeções, em 2024 já era 150% superior. O governo chinês planeja aumentar essa capacidade em 50% entre 2024 e 2030.
Em termos de produção total, a China espera gerar cerca de 10 trilhões de quilowatts-hora de eletricidade até 2025, o que é aproximadamente 140% a mais do que os Estados Unidos. Este crescimento é impulsionado principalmente por fontes de energia renováveis, como solar e eólica, que devem representar 80% da nova capacidade instalada. Em comparação, nos Estados Unidos, esse número é de cerca de 60%. Além disso, a China está em processo de construção de 27 reatores nucleares e deve ultrapassar os EUA na capacidade de geração de energia nuclear até 2030.
Por outro lado, nos Estados Unidos, um relatório indica que os data centers de inteligência artificial podem enfrentar um déficit de 44 gigawatts de energia até 2028. A demanda por eletricidade nesses centros está crescendo rapidamente, prevendo-se que, em 2024, eles representarão 1,7% do consumo total, podendo chegar a 5,3% até 2030, de acordo com dados da Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicações.
Os sistemas de energia elétrica dos dois países têm características diferentes que beneficiam a China. O governo chinês, ao controlar empresas estatais do setor energético, tem conseguido aumentar rapidamente a capacidade de geração, priorizando preços baixos e novas construções em vez de focar apenas em lucros. Já nos Estados Unidos, as decisões sobre investimentos são mais descentralizadas, o que dificulta o desenvolvimento de uma infraestrutura energética uniforme a nível nacional.
A competição entre os Estados Unidos e a China no campo da inteligência artificial é intensificada pelo setor de semicondutores. O governo americano impôs restrições à exportação de chips avançados, dificultando que as empresas chinesas competissem em igualdade de condições. No entanto, a geração de energia pode mudar essa dinâmica, já que os custos de eletricidade na China são significativamente mais baixos, podendo chegar a 3 centavos de dólar por quilowatt-hora, enquanto o preço nos Estados Unidos é três vezes maior.
Apesar de as empresas chinesas utilizarem chips que não são considerados tão avançados quanto os americanos, elas podem compensar isso com o acesso a grandes quantidades de eletricidade a preços menores. A Huawei, por exemplo, está competindo no setor, embora os especialistas indiquem que ela precisa de mais chips para igualar o desempenho da Nvidia.
As empresas chinesas estão desenvolvendo suas próprias tecnologias de inteligência artificial. Startup como a DeepSeek e o gigante Alibaba têm trabalhado em modelos de linguagem para análise de grandes volumes de dados, e as empresas americanas estão se tornando cada vez mais atentas a esses avanços.
Com a meta de se tornar a líder em inteligência artificial até 2030, a China está investindo fortemente em capacidade energética, considerando isso fundamental para sua competitividade industrial. Recentemente, o CEO da Nvidia comentou que a China está se aproximando rapidamente dos Estados Unidos nesse setor crítico.
