A China estabeleceu uma nova tarifa de 67% sobre parte das importações de carne bovina do Brasil, implementada no início deste ano. Este aumento repentino ocorre em um momento em que o gigante asiático foi responsável por aproximadamente 48,3% das exportações brasileiras de carne bovina, tendo importado 1,7 milhão de toneladas do produto em 2025. A partir de agora, a China manterá uma cota de 1,1 milhão de toneladas com uma taxa de importação reduzida de 12%. No entanto, para qualquer quantidade que ultrapasse esse limite, a tarifa se eleva para 55%, resultando em um encargo total de 67%.

    Essa mudança é significativa, pois pode afetar diretamente como a carne bovina é distribuída e consumida, tanto em termos de exportação quanto no mercado interno. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) destacaram que essa decisão exigirá uma reorganização dos fluxos de produção e exportação. Isso se deve ao fato de que os produtos destinados à China são, em geral, de maior valor agregado e menos consumidos no mercado doméstico.

    A expectativa inicial é que o aumento das tarifas poderia reduzir os preços da carne bovina no Brasil, além de impactar os preços da carne suína e de aves. Isso ocorre porque os consumidores tendem a optar pela carne bovina quando seu preço é mais acessível. Contudo, essa perspectiva nem todos acreditam que se concretizará. Jorge Luiz de Lima, diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (Sindicarnes SC), afirma que o estado não deve sofrer impacto, uma vez que não exporta carne bovina para a China. Ele também ressaltou que os exportadores poderão facilmente encontrar novos mercados para o excedente não enviado à China, estimando que essa quantidade varia de 400 mil a 600 mil toneladas.

    Atualmente, 70% da carne bovina produzida no Brasil é consumida internamente, enquanto 30% é destinada ao exterior. Isso significa que, sem as exportações para a China, é provável que o excedente permaneça no mercado nacional ou encontre novo destino no exterior. Informações de entidades representativas indicam que os produtores estão buscando diversificar seus mercados para manter o volume exportado.

    Embora a situação atual tenha gerado incertezas, o diretor do Sindicarnes relembrou que a alta dos preços da carne no estado não apresentou queda, mesmo após o aumento de tarifas dos Estados Unidos, que chegou a 50%. Dados mostram que, em Florianópolis, os preços médios da carne bovina e suína subiram mais de 5% em 2025, com o filé mignon apresentando um incremento de 11,90%. Apesar disso, os aumentos foram menos acentuados do que os registrados no ano anterior.

    A tarifa americana gerou uma moderação nos preços no mercado nacional, onde o IBGE reportou uma alta de 1,22% acumulada nos preços das carnes em 2025, contrastando com um aumento de 20,84% em 2024. Contudo, os consumidores ainda consideram a carne bovina cara, em função das altas anteriores e da inflação que afetou o poder de compra da população.

    A possibilidade de que a redução das exportações para a China leve a uma queda nos preços locais é analisada por especialistas. Considerando que as vendas para a China incluem cortes nobres, há uma expectativa de que a sobra desses produtos possa aliviar os preços, inclusive nos tradicionais churrascos brasileiros.

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