Isabelle Huppert Apresenta seu Novo Filme no Rio de Janeiro

    A renomada atriz francesa Isabelle Huppert, com uma carreira que inclui mais de 150 filmes, chegou ao Rio de Janeiro para apresentar seu mais recente trabalho, intitulado “A Mulher Mais Rica do Mundo”. A atriz, que aos 72 anos continua em atividade intensa, está hospedada em Copacabana e se destaca não apenas por seu talento, mas também por sua dedicação às artes.

    O filme será exibido entre 6 e 14 de dezembro nas salas do Rio de Janeiro e Niterói, dentro da programação do Festival Varilux. Inspirada em um escândalo que marcou a sociedade francesa, a trama é baseada no caso Bettencourt, que envolve a herdeira da L’Oréal, Liliane Bettencourt, e o fotógrafo François-Marie Banier. Liliane foi acusada pela família de ser manipulada por Banier, que teria se aproveitado da vulnerabilidade emocional da bilionária para receber presentes valiosos.

    Na obra dirigida por Thierry Klifa, os personagens foram criados com liberdade, e Marianne, interpretada por Huppert, representa uma versão fictícia de Liliane. A atriz comentou que teve a oportunidade de reinventar a figura da herdeira e de contar a história a partir de um novo ângulo, explorando o que aconteceu antes dos fatos conhecidos.

    “Embora as pessoas já conheçam o desfecho dessa história, o começo é menos conhecido”, afirmou Huppert, destacando a intenção do diretor de criar uma narrativa que vai além da realidade documentada.

    O filme explora o universo dos super-ricos, revelando suas contradições e hipocrisias. Huppert elogiou a atuação do colega Laurent Lafitte, que interpreta Pierre-Alain, um fotógrafo que se infiltra na vida de Marianne e revela segredos familiares, como a colaboração da família durante a Segunda Guerra Mundial.

    A personagem de Huppert não é retratada como uma vítima; pelo contrário, ela é apresentada como uma mulher poderosa, que enfrenta suas crises pessoais. A chegada de Pierre-Alain traz uma nova dinâmica para sua vida, ao mesmo tempo que ele manipula aspectos de sua imagem e desejos.

    O longa-metragem chegou em um momento de intenso debate na França sobre a desigualdade social e a concentração de riqueza, especialmente após sugestões de taxação sobre grandes fortunas. Huppert frisou que, apesar de o filme abordar a vida dos ultra-ricos, ele não é uma resposta direta às questões de desigualdade.

    A atriz também mencionou seu interesse pelo cinema brasileiro, expressando vontade de trabalhar com diretores como Kleber Mendonça Filho, Walter Salles e Karim Aïnouz.

    O contexto atual do cinema francês é marcado por denúncias de abusos que emergiram nos últimos anos, levando a uma reflexão dentro da indústria. Huppert é a favor da mudança de comportamento no setor e destacou que as questões de abuso não se limitam apenas ao cinema.

    “As verdades que estão vindo à tona não se restringem ao meio cultural, mas acontecem em várias outras áreas”, afirmou a atriz.

    Com sua presença no Brasil e um novo filme instigante, Huppert continua a cativar o público e a contribuir para discussões relevantes na indústria cinematográfica.

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