Estudo recente revela que a relação entre o açúcar e a saúde mental é mais complexa do que se imagina. Conforme uma pesquisa que acompanhou cerca de 170 mil pessoas durante mais de 10 anos, tanto o consumo excessivo de açúcar quanto a sua restrição podem aumentar os riscos de depressão e ansiedade.

    Os pesquisadores observaram diferentes tipos de açúcar em nossa alimentação, desde aqueles encontrados naturalmente em frutas e laticínios até os açúcares adicionados em bebidas e alimentos industrializados. O consumo elevado de açúcar, especialmente em forma de bebidas adoçadas e doces, foi associado a um aumento do risco de problemas de saúde mental ao longo do tempo. Contudo, o dado mais surpreendente indicou que pessoas que consomem muito pouco açúcar também enfrentam um risco elevado de dificuldades emocionais, criando um padrão em forma de “U”: tanto a baixa quanto a alta ingestão de açúcar estão ligadas a problemas de saúde mental, enquanto a moderação parece oferecer proteção.

    O cérebro humano precisa de glicose para funcionar corretamente. No entanto, dietas extremamente baixas em açúcar podem elevar os hormônios de estresse, afetar neurotransmissores e prejudicar a relação emocional das pessoas com a comida. Por outro lado, o consumo excessivo de açúcar pode contribuir para inflamações, estresse oxidativo e problemas no metabolismo da glicose, o que já foi correlacionado a distúrbios mentais.

    O estudo destaca que a qualidade do açúcar consumido faz diferença. Açúcares naturais, presentes em frutas e grãos integrais, têm efeitos diferentes dos açúcares adicionados em alimentos processados. Quando consumidos dentro de uma dieta equilibrada e rica em fibras, vegetais e proteínas saudáveis, os carboidratos são metabolizados de forma mais eficiente, resultando em menos picos de glicose e maior sensação de saciedade.

    A pesquisa também indica quais alimentos são melhores para proteger o cérebro e ajudar na saúde mental: frutas e vegetais ricos em polifenóis, leguminosas e cereais integrais cheios de fibras, oleaginosas e azeite com gorduras saudáveis, além de peixes ricos em ômega-3 e alimentos fermentados que beneficiam a microbiota intestinal.

    Além da alimentação, fatores como sono adequado, atividade física, manejo do estresse e relacionamentos saudáveis são cruciais para o bem-estar emocional. A saúde mental é resultado de uma combinação de escolhas e hábitos de vida; não existe uma única solução.

    O estudo sugere que o equilíbrio na alimentação é fundamental, em vez de seguir dietas radicais ou demonizar o açúcar. A proposta é entender o açúcar dentro de um padrão alimentar mais amplo e que cuida da saúde física e mental. É importante cultivar uma relação com a comida baseada em consciência e prazer, ao invés de culpa ou controle, sempre lembrando da moderação.

    Share.